Governo alemão vê interferência dos EUA após eleição
Chanceler Friedrich Merz suspende telefonema com Trump horas depois de presidente americano celebrar avanço da AfD na Alemanha
Governo alemão classificou como possível interferência externa a manifestação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o resultado eleitoral da Saxônia-Anhalt, onde o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve vitória expressiva nesta terça-feira, 8.
Poucas horas após a publicação do republicano, o chanceler alemão, Friedrich Merz, adiou uma conversa telefônica que manteria com Trump nesta quarta-feira, 9, para tratar dos 25 anos dos atentados de 11 de setembro.
Declaração de Trump gera desconforto
Em publicação nas redes sociais, Trump associou o desempenho da AfD ao descontentamento popular com regras migratórias no país europeu e usou a expressão “MGGA”, variação de seu slogan de campanha nos Estados Unidos.
A sigla do diretório da AfD na Saxônia-Anhalt é classificada por autoridades de inteligência alemãs como organização de extrema direita.
O porta-voz do governo federal, Stefan Kornelius, evitou confirmar ligação entre a fala de Trump e o adiamento da chamada, mas reafirmou posição já defendida por Merz anteriormente.
Segundo o jornal, o chanceler já havia dito em julho que a Alemanha “não interfere em eleições americanas” e que, “inversamente”, não deseja que “o governo americano ou instituições ligadas a ele interfiram nas eleições alemãs”.
Ainda na quarta-feira, por meio de nota lida pelo porta-voz, Merz declarou que a Alemanha segue disposta a “defender os valores que nos definem e nos unem”, citando “a liberdade, a democracia e o respeito”, em referência à data comemorativa do 11 de Setembro.
CDU sofre revés e SPD cobra resposta
O resultado da Saxônia-Anhalt representa retrocesso para a União Democrata Cristã (CDU), partido de Merz, que caiu para o segundo lugar com 17,2% dos votos, atrás dos 43,8% da AfD.
A votação é interpretada como sinal de insatisfação com a legenda governista e pode abrir caminho para o retorno da extrema direita ao poder estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.
Merz reconheceu, em declaração após reunião com dirigentes partidários, estar “profundamente chocado” com a derrota e admitiu que sua própria popularidade em baixa pesou no pleito: “Sei que eu, pessoalmente, fui um tema constante nesta campanha eleitoral”.
No Parlamento, o secretário parlamentar do Partido Social-Democrata (SPD), Dirk Wiese, pressionou o Executivo a adotar postura mais firme diante das falas do presidente americano. “É preciso falar claramente. Essa interferência não é aceitável. Creio que nós, como governo federal, de qualquer forma não podemos aceitar isso”, disse.
Episódio semelhante já havia ocorrido em janeiro de 2025, quando o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, manifestou apoio à plataforma da AfD durante conferência de segurança em Munique.
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