Google fica com Chrome e Android, mas terá de compartilhar dados
Decisão judicial nos Estados Unidos reconfigura cenário de buscas e publicidade digital; empresa contestará
Um juiz dos Estados Unidos determinou nesta terça-feira, 2, que o Google não será obrigado a vender seu navegador Chrome ou o sistema operacional Android, conforme pleiteavam os promotores, mas a gigante da tecnologia deverá ceder informações de busca a concorrentes. A medida tem como objetivo fomentar maior concorrência no setor.
Como o mercado reagiu à decisão
A sentença trouxe alívio para os investidores. As ações da Alphabet, controladora do Google, registraram uma alta de quase 6,7% nas negociações após o fechamento do mercado. A manutenção do Chrome e do Android, considerados componentes vitais do ecossistema da empresa, dissipou as maiores apreensões de Wall Street.
Embora o compartilhamento de dados possa fortalecer rivais na publicidade digital, a manutenção desses produtos representa uma vitória significativa para o Google. Fabricantes de dispositivos e navegadores, como a Apple, também se beneficiam. Eles continuarão a receber pagamentos substanciais pela participação em receitas publicitárias do Google.
Analistas do Morgan Stanley estimam que a Apple recebe anualmente cerca de US$ 20 bilhões pela configuração do Google como buscador padrão em seus aparelhos. Essa cifra sublinha a importância da decisão para todo o setor de tecnologia.
Desdobramentos e batalhas legais
Ainda assim, o Google anunciou que recorrerá. Em audiência anterior, o CEO Sundar Pichai expressou preocupação de que o compartilhamento obrigatório de dados permita que concorrentes repliquem sua tecnologia por engenharia reversa.
A sentença é parte de um processo judicial que se estende por cinco anos. Em 2024, o juiz Amit Mehta já havia estabelecido que o Google detinha um monopólio ilegal em serviços de busca e publicidade digital. Desde então, o Departamento de Justiça dos EUA tem defendido medidas mais rigorosas.
Tais medidas incluem impedir que a empresa expanda sua posição dominante, especialmente no campo da inteligência artificial. O Google argumenta que as propostas excedem o que é legalmente justificável, implicando a entrega de sua tecnologia a empresas rivais.
A companhia lida com outros litígios. Atualmente, recorre de uma decisão em favor da Epic Games, que exige modificações na Play Store. Em setembro, está previsto outro confronto judicial com o Departamento de Justiça, que a acusa de monopólios em tecnologias de publicidade online.
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