Gigante dos eletrônicos não encontra comprador e decide fechar 363 lojas de uma só vez, deixando quase 3 mil trabalhadores diante do fim da operação
Uma tradicional varejista de eletrônicos não encontrou uma proposta viável e desmontou sua extensa rede física em poucas semanas.
Uma das redes de eletrônicos mais conhecidas da Austrália chegou ao início de 2016 sem conseguir financiar a própria continuidade. Criada em 1968, a Dick Smith entrou em receivership e, semanas depois, teve o fechamento de 363 lojas confirmado, afetando 2.890 trabalhadores na Austrália e na Nova Zelândia.
Como a Dick Smith se tornou uma grande rede de eletrônicos?
A empresa começou em Sydney, em 1968, como um pequeno negócio de instalação de rádios automotivos criado por Dick Smith. Nas décadas seguintes, ampliou a oferta de computadores, televisores, acessórios e outros eletrônicos e construiu presença nacional.
A rede acabou sob controle da Woolworths e, em 2012, foi vendida à Anchorage Capital Partners. No ano seguinte, a companhia voltou ao mercado acionário, enquanto a operação seguia expandindo lojas e diferentes formatos de varejo na Austrália.

O que levou a empresa ao colapso no início de 2016?
O negócio chegou ao fim de 2015 pressionado por vendas abaixo do esperado e excesso de estoque. A empresa realizou grandes promoções e reconheceu dezenas de milhões de dólares australianos em baixas relacionadas a mercadorias.
Em janeiro de 2016, a Dick Smith entrou em voluntary administration e também passou ao controle de receivers indicados pelos principais credores. A partir daí, a prioridade passou a ser encontrar compradores capazes de preservar toda ou parte da operação.
Quatro acontecimentos ajudam a resumir a deterioração:
Por que nenhuma proposta conseguiu manter as lojas abertas?
Os responsáveis pela venda receberam manifestações de interesse de grupos locais e internacionais. Nenhuma proposta, porém, foi considerada adequada para comprar o grupo completo ou manter isoladamente os negócios australiano e neozelandês.
A autoridade australiana de concorrência e consumo registrou que o processo não produziu ofertas aceitáveis e que os receivers passariam a realizar os ativos disponíveis. As propostas recebidas eram consideradas muito condicionais ou inferiores aos valores esperados em liquidação.
Como as 363 lojas e os 2.890 trabalhadores estavam distribuídos?
O anúncio previa o fechamento de 301 lojas na Austrália e 62 na Nova Zelândia ao longo de aproximadamente oito semanas. O encerramento alcançava praticamente toda a rede física remanescente dos dois países.
O impacto trabalhista também se dividia entre os mercados: aproximadamente 2.460 empregados australianos e 430 neozelandeses seriam afetados. Somados, eram 2.890 trabalhadores diante do desaparecimento dos pontos físicos.
Os números mostram a dimensão da decisão:
O fechamento das lojas significou o desaparecimento da marca?
Não. Em março de 2016, a Kogan.com comprou o negócio online, a marca e outros ativos de propriedade intelectual da Dick Smith. A aquisição não salvou as lojas físicas, que continuaram no processo de encerramento.
A partir de junho daquele ano, a Dick Smith passou a funcionar como varejista online sob o novo proprietário. Assim, o nome comercial sobreviveu, mas separado da rede de centenas de lojas que havia marcado o mercado de eletrônicos por décadas.
Por que o encerramento foi tão marcante para o varejo?
A dimensão da mudança ocorreu em poucas semanas: uma companhia que ainda mantinha centenas de endereços perdeu a possibilidade de continuar fisicamente quando nenhuma oferta de compra foi considerada viável.
O fechamento de 363 lojas e o impacto sobre 2.890 trabalhadores encerraram a etapa tradicional da Dick Smith na Austrália e na Nova Zelândia. A marca continuou online, mas a extensa rede que sustentava sua presença cotidiana desapareceu em 2016.
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