Gigante do setor de chocolates anuncia saída do mercado em meio à disparada no preço do cacau
O adeus de uma tradição centenária e o alerta para o futuro da indústria global de chocolates.
A histórica Lammes Candies, que há mais de um século adoçava o Texas com seu famoso Texas Chewy Pecan Praline, anunciou o fechamento definitivo de todas as suas lojas. Após 141 anos de mercado, a empresa não resistiu à escalada histórica do preço do cacau e à combinação de fatores que estão redesenhando o setor global de chocolates.
Por que a Lammes Candies fechou as portas?
O estopim foi uma equação financeira que se tornou insustentável. Os custos de produção, puxados pela matéria-prima, subiram muito mais rápido do que a capacidade de repassar esses valores ao consumidor final, comprimindo as margens de lucro da empresa familiar.
Fundada em 1885, a Lammes Candies construiu uma trajetória sólida em Austin, passando por cinco gerações da família Lamme. Contudo, o cenário econômico de 2026, com cacau em patamares elevados e consumidores mais seletivos, tornou inviável manter a operação de suas unidades.
Confira os detalhes:
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Ano de fundação | 1885 — em Austin, Texas |
| Trajetória da empresa | Cinco gerações da família Lamme |
| Causa principal do fechamento | Custos de produção subiram mais rápido que os preços |
| Matéria-prima decisiva | Cacau em patamares elevados em 2026 |
| Impacto nas margens | Compressão de lucro insustentável |
| Fator do lado do consumidor | Compradores mais seletivos e resistentes ao preço |
| Resultado final | Inviabilidade de manter as unidades em operação |
Como a disparada do cacau impactou a indústria de chocolates?
A alta do cacau não foi um evento isolado. Uma tempestade perfeita de fatores climáticos, problemas estruturais e restrições de oferta levou a commodity a superar US$ 11 mil por tonelada em 2024, um recorde histórico que ainda ecoa nos preços atuais.
Problemas em grandes produtores como Costa do Marfim e Gana reduziram drasticamente a oferta global. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda elevou os custos para a indústria e, por tabela, para o consumidor.
A crise afetou o setor de várias formas. Confira os principais impactos:
- Alta de custos de produção: insumos como cacau, açúcar, leite e oleaginosas sofreram forte aumento.
- Redução da moagem de cacau: indicador-chave que mede o consumo industrial da amêndoa está em queda desde 2023.
- Mudanças no portfólio de produtos: empresas reduziram o tamanho das barras de chocolate ou alteraram as receitas para baratear o produto final.
- Fechamento de operações físicas: negócios dependentes de lojas de rua foram os primeiros a sentir o golpe da crise.
É o fim da era dos chocolates tradicionais?
Não se trata apenas de uma empresa centenária sucumbindo. O caso da Lammes é sintomático de um problema estrutural na cadeia produtiva. O envelhecimento das plantações em regiões chave e a dificuldade de investimento em novas lavouras são desafios de longo prazo que o setor ainda não conseguiu resolver.
Mesmo com a recente queda no preço internacional da commodity para patamares próximos de US$ 3 mil por tonelada, o alívio ainda não chegou às gôndolas. A indústria de chocolates trabalha com contratos futuros e estoques comprados em momentos de preço alto, o que segura o aumento mesmo quando as cotações recuam.
O Brasil sente os efeitos dessa crise?
Sim, e de forma intensa. O chocolate acumulou alta de 24,8% nos últimos 12 meses, superando em quase seis vezes a inflação oficial. A Páscoa de 2026 foi marcada por ovos de chocolate mais caros e em versões reduzidas, reflexo direto da crise global.
O aumento do cacau elevou o custo de produção e, para muitos brasileiros, consumir chocolate deixou de ser um hábito cotidiano para se tornar um luxo esporádico, pressionado por um ambiente de endividamento e juros elevados.

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Qual o futuro para as marcas de chocolate?
A tendência é de que empresas busquem cada vez mais eficiência e adaptação de portfólio. Por um lado, a indústria deve investir em novos formatos e sabores que usem menos cacau, mas mantenham a percepção de qualidade. Por outro, a pressão pós-crise deve fomentar um debate mais sério sobre a sustentabilidade da lavoura cacaueira no mundo.
A produção de cacau enfrenta o grande desafio de se renovar frente às mudanças climáticas. A saída de um nome tradicional como a Lammes Candies é um sinal claro de que o mercado, como o conhecemos, está mudando e exige reinvenção de todos os elos da cadeia para sobreviver.
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