Gigante das lojas de preço baixo anuncia fechamento de 371 unidades e coloca estoques e imóveis à venda para encerrar o negócio
A venda de mercadorias e pontos comerciais marcou o desmonte de uma rede popular que tentou encontrar alternativas para continuar operando.
A liquidação de centenas de lojas começou com produtos de supermercado, artigos de limpeza e utilidades domésticas em promoção. Em 4 de abril de 2024, a 99 Cents Only anunciou o encerramento de 371 unidades nos Estados Unidos, após concluir que não conseguiria manter a operação.
Por que a 99 Cents Only decidiu encerrar todas as lojas?
Com origem em 1982, a rede cresceu oferecendo alimentos, artigos sazonais e produtos para casa a preços baixos. A empresa atribuiu a crise aos efeitos da pandemia, à inflação persistente, às mudanças de consumo e às perdas de mercadorias, que pressionaram a capacidade de operar.
A direção avaliou alternativas durante meses, mas decidiu promover uma saída organizada. O anúncio de 4 de abril de 2024 marcou a mudança de objetivo: em vez de manter as unidades abertas, o negócio passou a converter ativos em recursos.

Como funcionou a liquidação das 371 unidades?
As 371 lojas ficavam na Califórnia, no Texas, no Arizona e em Nevada. As vendas de encerramento começaram em 5 de abril de 2024, abrangendo alimentos, bebidas, itens domésticos, mercadorias sazonais e equipamentos existentes nos estabelecimentos.
A Hilco Global assumiu a gestão das liquidações. O processo era diferente das promoções tradicionais de uma loja barata: os estoques seriam reduzidos até a desmobilização da operação, sem previsão de reposição para continuidade da rede.
O encerramento reuniu estas etapas:
O que aconteceu com os imóveis e contratos das lojas?
Além das mercadorias, a companhia colocou à venda imóveis próprios e direitos associados aos contratos de locação. A lista divulgada incluía 44 propriedades próprias e 333 endereços alugados, além de equipamentos e móveis comerciais.
Esses 377 ativos imobiliários não devem ser confundidos com a contagem de 371 lojas: o conjunto de propriedades e contratos possuía classificação própria. A venda dos endereços permitia recuperar valor dos ativos e reduzir obrigações ligadas à rede.
Por que a empresa recorreu à Justiça em abril?
O controlador da rede apresentou o pedido de proteção pelo Chapter 11 em 7 de abril de 2024, já durante o encerramento anunciado. O procedimento buscava organizar a alienação de ativos e o tratamento das obrigações financeiras sob supervisão judicial.
A empresa comunicou um financiamento previsto de US$ 60,8 milhões para facilitar a transição, sujeito às condições e aprovações do processo. A existência desse financiamento não significava uma reversão do fechamento das lojas.
Três dimensões ajudam a entender o alcance da decisão:
O fechamento alterou o modelo de lojas de preço baixo?
A 99 Cents Only operava em um segmento semelhante ao das lojas de preço fixo e variedades, nas quais mercadorias de categorias diferentes dividem o mesmo espaço. Seu encerramento não significou o desaparecimento desse formato, que continuou presente em outras redes.
O que se perdeu foi a combinação específica de marca, contratos, equipes e estabelecimentos da antiga companhia. A possível ocupação posterior de alguns imóveis por outras varejistas não corresponde à continuidade automática da empresa que os operava.
Qual foi o resultado da crise da 99 Cents Only?
O comunicado empresarial de encerramento registrou a decisão de liquidar mercadorias e comercializar ativos após a avaliação de alternativas para manter o negócio em funcionamento. O anúncio antecedeu o pedido judicial, apresentado poucos dias depois.
A sequência de abril de 2024 resume o desfecho: primeiro veio a decisão de fechar, depois as vendas finais e a reorganização judicial voltada à venda de bens. A quantidade de lojas indica a dimensão de uma operação que deixou de existir em sua forma original.
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