Gestão Trump inicia demissão de funcionários públicos após ‘shutdown’
Medidas pressionam democratas a reestruturar gastos, afetando departamentos como Tesouro, Educação e Segurança Interna
A Casa Branca anunciou nesta sexta-feira, 10, que deu início a uma rodada de dispensas de servidores federais. A medida acontece em meio ao ‘shutdown’ (paralisação do governo) e cumpre a promessa do presidente Donald Trump de diminuir o quadro de pessoal do governo.
Agências de abrangência nacional, como os departamentos de Educação, Segurança Interna, Saúde e Serviços Humanos e Tesouro, confirmaram que seriam afetadas pela redução nos quadros. A administração usa a paralisação do governo como uma oportunidade para reestruturar o orçamento e pressionar o Partido Democrata a aceitar as exigências fiscais.
“Redução de pessoal” e “agências democratas”
Autoridades confirmaram que as demissões seriam em número expressivo. As agências do Comércio e de Energia também serão afetadas. Sindicatos de trabalhadores públicos informaram a um magistrado que antecipavam cerca de 1.300 demissões somente no Departamento do Tesouro.
Russell Vought, diretor de orçamento da Casa Branca, comunicou o início do processo em mídias sociais. Ele fez referência aos avisos de “reduction in force”, ou redução de pessoal, enviados aos empregados federais.
Donald Trump quer cortar programas populares entre os democratas, mas impopulares entre seus correligionários. Em reunião de gabinete, afirmou que daria aos democratas “um pouco do seu próprio remédio”.
A gestão já havia cancelado ou congelado dezenas de bilhões de dólares em auxílio federal. Esse financiamento beneficiava, sobretudo, cidades e estados administrados por democratas. Trump também ameaçou reduzir o que chamou de “agências democratas”, visando cortes permanentes nos gastos sem a devida aprovação do Congresso.
O anúncio oficial da Casa Branca não detalhou o número exato de trabalhadores ou programas que seriam impactados. Contudo, a ação gerou confusão e receio generalizados, especialmente porque centenas de milhares de funcionários já estavam em licença não remunerada ou trabalhando sem receber salário.
Sindicados reagem na justiça
Sindicatos que representam os servidores públicos entraram com ações judiciais contra o governo. Eles contestam a legalidade de realizar demissões unicamente por causa da interrupção do financiamento federal. Um juiz federal havia determinado que a administração Trump justificasse as demissões planejadas até a sexta-feira do anúncio.
O presidente nacional da Federação Americana de Empregados do Governo, Everett Kelley, criticou abertamente a administração. Ele afirmou: “É vergonhoso que o governo Trump esteja usando o ‘shutdown’ como desculpa para demitir ilegalmente milhares de trabalhadores que prestam serviços essenciais às comunidades em todo o país”.
A atitude do governo em relação ao momento e à amplitude das dispensas foi condenada por muitos democratas. Inclusive a senadora republicana Susan Collins, do Maine, que tem papel importante na alocação de verbas na Câmara, expressou desaprovação.
Collins culpou os democratas pela paralisação, mas alertou que a dispensa de funcionários poderia “causar danos às famílias no Maine e em todo o país”. Ela enfatizou a importância do trabalho prestado pelos servidores: “Independentemente de os funcionários federais estarem trabalhando sem remuneração ou em licença, o trabalho deles é extremamente importante para servir ao público”.
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