Gaza: Trump mostrou resultados, mas ainda falta desarmar o Hamas
O jornalista israelense Herb Keinon diz que o plano para Gaza é ambicioso e trouxe vitórias reais, mas ainda tem muitas respostas pendentes
O plano de paz de 20 pontos de Donald Trump promete um “novo Oriente Médio”, o fim do terror em Gaza e a reconstrução da região. E já mostrou força: todos os reféns vivos voltaram para casa, parte dos mortos foi devolvida e os combates pararam. Mesmo assim, ainda não está claro quem fará o trabalho mais difícil.
Herb Keinon, do jornal The Jerusalem Post, analisa isso no artigo “O plano de Gaza de Trump: grande ambição, mas os defeitos de Oslo permanecem”, publicado nesta sexta, 24. Ele reconhece os avanços imediatos, mas alerta que, sem planejamento detalhado, o processo pode repetir erros do passado.
Trump, lembrou Keinon, usa como arma de comunicação o “exagero estratégico”. No livro A arte da negociação, o presidente americano define o termo como “uma forma inocente de exagero e uma maneira eficaz de promoção”.
Keinon explica que o presidente usa esse estilo para inspirar e criar confiança, mas que a execução precisa acompanhar o discurso.
Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Trump disse que o plano encerraria “coisas que acontecem no Oriente Médio há centenas e milhares de anos”. Keinon escreve que o entusiasmo é compreensível depois de tantos anos de guerra, mas que a paz duradoura depende de quem vai agir no campo.
O plano fala em transformar Gaza em uma região “livre de terror e desradicalizada” e em unir países árabes na reconstrução. Mas ainda não está claro quem vai desarmar o Hamas, quem vai policiar o território e quem pagará a conta. Também não há um cronograma definido para a volta da Autoridade Palestina ao controle local.
O documento cita “monitores independentes” para fiscalizar o acordo, sem especificar quem seriam ou quais poderes teriam. Também menciona uma “Força Internacional de Estabilização”, mas sem listar países participantes ou quem comandaria a operação.
Keinon compara essa falta de clareza com o que aconteceu nos Acordos de Oslo, assinados em 1993 entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina.
Na época, o acordo criou grandes expectativas, mas deixou temas centrais para depois, como fronteiras, Jerusalém, refugiados e segurança. Essa indefinição acabou enfraquecendo o processo de paz e levando à desconfiança mútua.
Mesmo com essas falhas, Keinon ressalta que o plano de Trump obteve resultados inéditos. Interromper uma guerra e recuperar todos os reféns vivos é, segundo ele, um feito histórico. O desafio agora é consolidar essas vitórias e evitar que o cessar-fogo seja apenas temporário.
O tom do artigo é de cautela, não de pessimismo.
Keinon reconhece que Trump e sua equipe conseguiram o que muitos achavam impossível: interromper uma guerra e trazer de volta todos os reféns vivos. Esse resultado, escreve, é histórico e prova que há espaço para avanços reais.
Agora, o desafio é manter o que foi conquistado. O Hamas ainda controla parte de Gaza, não entregou todos os corpos e segue armado. O plano prevê desmilitarização e anistia para quem aderir à paz, mas ainda não explica como isso será feito na prática.
Keinon conclui que o “exagero estratégico” de Trump ajuda a abrir portas e criar impulso político, mas que o futuro da paz depende dos detalhes que ainda faltam. O autor diz que a ambição pode ter iniciado uma nova fase, e que, se for bem construída, poderá transformar a promessa em realidade.
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