França: hasteamento de bandeira palestina em prefeituras gera polêmica
Gilles Platret, prefeito de Chalon-sur-Saône, descreveu a bandeira palestina como um sinal de "poderes hostis à França que a estão usando para criar tumultos e desestabilização",
Emmanuel Macron reconhecerá o Estado da Palestina em 22 de setembro, em uma conferência copresidida pela França e pela Arábia Saudita em Nova York.
Essa decisão foi fortemente contestada por Israel, cujo primeiro-ministro acusou o presidente francês de “alimentar o fogo do antissemitismo”.
Olivier Faure, primeiro-secretário do Partido Socialista, saudou a iniciativa e propôs, em X, “hastear a bandeira palestina em nossas prefeituras” a partir de 22 de setembro.
Bruno Retailleau, o ministro cessante do Interior, opôs-se a isso porque os tribunais administrativos “ordenaram recentemente e repetidamente a remoção das bandeiras palestinas dos frontões das prefeituras, alegando que elas minavam gravemente o princípio da neutralidade dos serviços públicos”.
Jean-Luc Mélenchon, por sua vez, deu ao Partido Socialista seu vigoroso apoio, instando-o a “resistir a provocações”. Mas a controvérsia em torno do significado da bandeira aumentou.
Gilles Platret, prefeito de Chalon-sur-Saône, descreveu-a como um sinal de “poderes hostis à França que a estão usando para criar tumultos e desestabilização”, na segunda-feira, na BFMTV.
“A esquerda afirma que a bandeira palestina, criada em 1964 pela OLP, representa a resistência árabe secular”, argumentou a antropóloga Florence Bergeaud-Blackler, que estudou extensivamente a Irmandade Muçulmana. “No entanto, esta bandeira captura os momentos-chave da história islâmica”, acrescentou.
Reconhecimento da Palestina, uma aposta diplomática
O anúncio do reconhecimento do Estado Palestino pela França foi feito há dois meses. O grupo terrorista Hamas chegou a parabenizar a França pela decisão.
No que diz respeito à implementação desse reconhecimento, as divisões francesas em relação ao conflito israelo-palestino nunca foram tão agudas, mas é fato que o presidente francês conseguiu afastar o isolamento que o ameaçava nessa questão.
Nada menos que o Reino Unido, o Canadá e a Austrália, bem como um punhado de outros países da União Europeia, juntaram-se a ele nesse esforço.
Diplomaticamente, Emmanuel Macron pode, portanto, orgulhar-se de um sucesso, mesmo que juntar-se aos 148 países que já reconheceram o Estado Palestino não garanta nenhuma resolução para a situação no Oriente Médio.
Jordan Bardella, presidente do partido de direita Rasseblemement Nacional (RN) criticou a decisão
“O reconhecimento do Estado da Palestina por Emmanuel Macron é um erro, enquanto o Hamas ainda mantém reféns israelenses”, afirmou “Isso equivale a recompensar as atrocidades cometidas em 7 de outubro, durante o ataque mais mortal já sofrido pelo Estado de Israel.
Leia também: Macron condiciona abertura de embaixada na Palestina à libertação de reféns
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Comentários (1)
Fabio B
22.09.2025 09:33Eles vão colher o que plantaram, mas cedo do que imaginam.