França, Estados Unidos e Canadá começam a transformar estacionamentos em áreas de energia e sombra: o que muda no calor do asfalto
Como estacionamentos estão virando fontes de energia solar na França, nos EUA e no Canadá
O asfalto de um estacionamento descoberto pode ficar até 30°C mais quente do que uma superfície verde ao lado, agravando o fenômeno chamado de ilha de calor urbana. Três países decidiram resolver isso cobrindo estacionamentos com painéis solares: a França tornou isso lei, os EUA avançam por iniciativa de empresas e universidades, e o Canadá debate o potencial que ainda está sendo desperdiçado.
Por que o asfalto piora o calor nas cidades?
Materiais escuros como o asfalto absorvem entre 80% e 95% da radiação solar e liberam esse calor ao longo do dia, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). Em regiões urbanas, os estacionamentos cobrem uma parcela expressiva do solo, funcionando como grandes acumuladores de temperatura e aumentando o gasto com ar-condicionado nos prédios ao redor.
Cobrir esses estacionamentos com painéis solares resolve dois problemas de uma vez: gera energia limpa próxima ao ponto de consumo e bloqueia a maior parte da radiação direta sobre o asfalto. Um estudo da Yale School of Environment estima que coberturas solares sobre estacionamentos poderiam fornecer um terço de toda a eletricidade do estado de Connecticut sem ocupar nenhum metro quadrado de terra nova.

O que cada país está fazendo?
A França saiu na frente com a Lei nº 2023-175, a Lei APER, que obriga estacionamentos ao ar livre com mais de 1.500 m² a cobrir pelo menos 50% da área com painéis fotovoltaicos. Os maiores, com mais de 10.000 m², precisam estar em dia até julho de 2026. Os demais têm até julho de 2028.
Nos EUA, não há lei federal, mas os projetos avançam. A Universidade Rutgers, em Nova Jersey, tem coberturas sobre 28 acres de estacionamento que geram 8 megawatts e suprem cerca de 60% da energia do campus. O Aeroporto JFK, em Nova York, instalou um projeto de 12,3 megawatts que abastece o AirTrain e corta 6.000 toneladas de emissões por ano, segundo o Governo de Nova York. No Canadá, a Ontario Clean Air Alliance calculou que cobrir metade dos 7.000 grandes estacionamentos de Toronto produziria mais de 2,5 vezes a energia da maior usina a gás da cidade. A prefeitura revisou regras de zoneamento em 2026 para facilitar as instalações.
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Qual é o principal obstáculo para essa tecnologia crescer?
Construir uma cobertura solar sobre estacionamento exige muito mais aço e fundação do que instalar painéis em telhados planos, elevando o custo em até 5 vezes, segundo o Yale Environment 360. Mesmo assim, projetos como o do Aeroporto de Evansville, no Indiana, mostram que o retorno existe: as coberturas sobre 368 vagas geraram US$ 310.000 de lucro já no primeiro ano de operação.
| País | Abordagem | Situação |
|---|---|---|
| FrançaLei APER 2023-175 | Obrigação legal: 50% de cobertura solar em estacionamentos acima de 1.500 m² | Lei em vigor |
| Estados UnidosSem lei federal | Projetos em aeroportos, universidades e varejistas; incentivos variam por estado | Expansão crescente |
| CanadáToronto lidera debate | Revisão de zoneamento em curso; potencial para cobrir 50–80% da demanda elétrica da cidade | Em discussão |
O que esperar nos próximos anos?
O mercado global de coberturas solares para estacionamentos foi avaliado em US$ 548 milhões em 2025 e deve dobrar até 2034, crescendo cerca de 10% ao ano. À medida que os preços dos painéis caem e mais países seguem o modelo da França, a tendência é que esse tipo de infraestrutura deixe de ser exceção e passe a ser padrão nos grandes estacionamentos ao redor do mundo, combinando geração de energia, conforto térmico e recarga de veículos elétricos no mesmo espaço.
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