França e Japão alinham estratégia para reabrir Estreito de Hormuz
Em visita a Tóquio, presidente francês e primeira-ministra japonesa coordenam pressão diplomática pelo fim da guerra entre EUA, Israel e Irã
O presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciaram na quarta-feira, 1º de abril, em Tóquio, que os dois países vão coordenar esforços para pressionar pelo encerramento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — e para garantir a reabertura do Estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra, cinco semanas atrás.
O estreito é a principal rota de escoamento de petróleo e gás natural liquefeito do mundo. Por ele passa cerca de um quinto da produção global dessas commodities. O fechamento da via tem elevado os custos de energia em países importadores da Europa e da Ásia, com risco de escassez de derivados de petróleo caso o bloqueio se prolongue.
Dependência e reservas estratégicas
O Japão é o país com maior exposição ao problema: normalmente, 90% do petróleo consumido no arquipélago vem do Oriente Médio. Diante da interrupção no fornecimento, o governo japonês ativou suas reservas estratégicas para conter o impacto econômico imediato.
Ao lado de Takaichi, Macron afirmou compartilhar da posição japonesa quanto à necessidade de restaurar a liberdade de navegação no estreito. A França manteve conversas com dezenas de países para avaliar propostas de uma missão naval de reabertura da passagem assim que o conflito chegar ao fim.
O Japão avalia a possibilidade de enviar caça-minas para integrar essa operação, embora qualquer participação militar esteja sujeita às restrições impostas pela Constituição pacifista do país, adotada após a Segunda Guerra Mundial.
Além da questão energética, os dois líderes firmaram acordos de cooperação em cadeias de suprimentos de minerais críticos, tecnologia nuclear civil e inteligência artificial, e anunciaram a intenção de ampliar os laços de segurança no Indo-Pacífico.
“Como a situação internacional é tão desafiadora, acredito que seja de grande importância que os líderes do Japão e da França aprofundem seus laços pessoais e tornem nossa cooperação ainda mais forte”, disse Takaichi após os encontros.
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