Felino reduzido a menos de 100 exemplares chega a 2.663 animais em 24 anos e protagoniza uma das maiores recuperações da história
Reprodução, solturas e restauração ampliaram a população, mas mortes em rodovias ainda ameaçam a continuidade desse avanço.
O felino reduzido a menos de 100 exemplares no início do século alcançou um novo recorde após duas décadas de conservação coordenada e expansão territorial. A espécie é o lince-ibérico, cuja população chegou a 2.663 animais em 2025, distribuídos entre Espanha e Portugal.
Qual é o felino que alcançou 2.663 animais em 2025?
O animal é o lince-ibérico, de nome científico Lynx pardinus. Esse felino vive naturalmente na Península Ibérica e possui pelagem manchada, cauda curta e tufos escuros nas pontas das orelhas.
O lince-ibérico depende principalmente do coelho-bravo como alimento. A redução dessa presa, a fragmentação do habitat, doenças e mortes causadas por atividades humanas ajudaram a levar a espécie perto da extinção.

Como o felino reduzido a menos de 100 exemplares se recuperou?
A recuperação combinou reprodução sob cuidados humanos, soltura de animais, proteção de habitats e aumento da disponibilidade de coelhos. Desde o começo das liberações de indivíduos nascidos em cativeiro, em 2011, 424 linces foram reintroduzidos até 2025.
Os programas também transferiram animais entre áreas para melhorar a diversidade genética e criaram novos núcleos populacionais. Estradas receberam medidas para reduzir atropelamentos, enquanto propriedades privadas e equipes públicas participaram da proteção e do monitoramento da espécie.
O que os números de 2002 e 2025 mostram?
O censo passou de menos de 100 exemplares em 2002 para 2.663 em 2025, dentro de uma série descrita oficialmente como um período de 24 anos. O resultado representa crescimento superior a 26 vezes em relação ao limite de 100 animais.
Entre 2024 e 2025, o total avançou 10,9%, com 262 indivíduos adicionais. A contagem mais recente inclui 1.711 adultos ou subadultos e 952 filhotes, mostrando que a expansão não depende somente de novas solturas.
Os principais marcos da recuperação aparecem abaixo:
Onde estão distribuídos os 26 núcleos geográficos?
A presença foi confirmada em 26 núcleos geográficos, dos quais 18 registraram reprodução em 2025. A Espanha concentrou 2.269 animais, equivalentes a 85% do total, enquanto Portugal contabilizou 394 exemplares.
As maiores concentrações espanholas estavam em Castilla-La Mancha, com 1.051 linces, e Andaluzia, com 885. A expansão para outras regiões reduz a dependência de poucos territórios, mas exige corredores ecológicos para permitir deslocamento e troca genética.
A distribuição e a reprodução trazem quatro pontos importantes:
Por que essa é considerada uma recuperação histórica?
A recuperação é incomum pela velocidade, pela escala e pelo nível de cooperação entre dois países. Em 2024, a União Internacional para a Conservação da Natureza alterou a classificação do lince-ibérico de “em perigo” para “vulnerável”.
A mudança reconheceu o avanço, mas não declarou a espécie totalmente recuperada. O crescimento depende da continuidade dos programas, da manutenção de populações de coelho-bravo e da conexão entre os núcleos para evitar isolamento genético.

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Quais ameaças ainda podem interromper o crescimento?
Os atropelamentos continuam entre os principais riscos. Em 2025, foram detectadas 273 mortes, das quais 212 ocorreram em rodovias, equivalentes a 77,9% das mortes registradas pelo levantamento.
Doenças, redução de presas, caça ilegal, incêndios e fragmentação do habitat também permanecem relevantes. O censo oficial do lince-ibérico em 2025 trata os 2.663 animais como uma contagem mínima, pois identificar todos os indivíduos ficou mais difícil com a expansão.
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