FBI frustra plano para matar ativista palestino-americana
Homem é preso em Nova Jersey com coquetéis molotov após operação disfarçada do FBI e do NYPD que durou semanas
Um homem chamado Alexander Heifler foi preso na quinta-feira, 26, em Hoboken, Nova Jersey, acusado de planejar um ataque com coquetéis molotov contra a residência de Nerdeen Kiswani, liderança do grupo de defesa da causa palestina Within Our Lifetime, em Nova York. O FBI informou à ativista que um plano contra sua vida estava prestes a ser executado, e as autoridades realizaram uma operação para detê-lo.
A operação e o suspeito
A investigação teve início em fevereiro, quando Heifler discutiu, em uma chamada de vídeo em grupo, o uso de artefatos incendiários. Entre os participantes havia um agente disfarçado. Em março, o suspeito e o mesmo agente foram até a residência de Kiswani para realizar uma vigilância e discutir detalhes do plano.
Na noite de quinta, os dois se encontraram na casa de Heifler, em Hoboken. O suspeito estava com uma garrafa de Everclear — bebida com alto teor alcoólico, usada como combustível — e outros materiais para fabricar os dispositivos. Durante a busca, agentes encontraram oito coquetéis molotov prontos. Heifler teria dito ao agente que pretendia deixar o país após o ataque.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou que o suspeito é membro da Jewish Defense League, organização classificada pelo próprio FBI como “organização extremista violenta conhecida”, e descreveu o caso como “um ato chocante de violência política e uma aparente tentativa de assassinato”. Uma autoridade policial confirmou a filiação ao jornal The New York Times, embora a denúncia criminal não mencione o nome do grupo.
Heifler responde a duas acusações: posse ilegal de dispositivos destrutivos e fabricação de dispositivos destrutivos.
A ativista e o contexto
Nesta sexta-feira, 27, Nerdeen Kiswani publicou em sua conta no X que foi comunicada pelo Grupo Conjunto de Luta contra o Terrorismo do FBI sobre o plano. “Ontem à noite, o Grupo Conjunto de Luta contra o Terrorismo do FBI me informou que um plano contra a minha vida estava prestes a ser executado”, escreveu.
Kiswani também acusou organizações e políticos de terem incitado atos de violência contra ela e sua família durante meses. Em fevereiro, ela ingressou com ação judicial contra o grupo de direita Betar US, alegando violação de seus direitos civis. A acusação se baseia na oferta de supostas “recompensas” em redes sociais para que pessoas a perseguissem ou agredissem.
O deputado republicano Randy Fine foi citado pela ativista entre os que teriam incitado hostilidade. Fine foi acusado de islamofobia após publicar no X que “preferia os cães aos muçulmanos”, em resposta a uma postagem de Kiswani em que ela descrevia os cães como “impuros”.
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