Família Clinton se defende em caso Epstein
Depoimento de Hillary Clinton, ex-secretária de Estado, é uma tentativa de explicar a conexão com o financista Jeffrey Epstein
Hillary Clinton prestou depoimento nesta quinta-feira, 26, à comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que investiga a rede de abuso sexual de menores liderada pelo financista Jeffrey Epstein, morto em 2019. A audiência ocorreu na residência do casal Clinton, no estado de Nova York, e foi conduzida a portas fechadas.
A ex-secretária de Estado declarou, sob juramento, que não tinha conhecimento das atividades criminosas de Epstein, e que não se recorda de tê-lo encontrado pessoalmente. Antes de responder às perguntas dos parlamentares, divulgou em suas redes sociais uma declaração inicial em que atacou a condução da investigação.
Acusações cruzadas
“Vocês me obrigaram a depor, plenamente cientes de que não possuo nenhum conhecimento que possa auxiliar a investigação, com o objetivo de desviar a atenção das ações do presidente Trump e encobri-las”, afirmou Hillary, classificando o processo como “teatro político”.
Ela também direcionou críticas à relação entre Donald Trump e Epstein. Levantamentos indicam que o nome do presidente aparece 38 mil vezes nos arquivos do financista, com referências a possíveis encontros entre o então empresário e jovens que seriam vítimas da rede de abusos. A Casa Branca nega.
A audiência foi brevemente interrompida depois que a deputada Lauren Boebert compartilhou, com um produtor de conteúdo ligado à direita, uma foto da sala onde ocorria o depoimento.
O peso do sobrenome
A convocação de Hillary tem como pano de fundo a relação do ex-presidente Bill Clinton com Epstein. Entre 2002 e 2003, ele viajou ao menos 16 vezes no avião particular do financista. Documentos tornados públicos incluem fotos de Bill em eventos promovidos por Epstein.
O nome de Hillary aparece cerca de 700 vezes nos arquivos do caso, sobretudo em recortes de imprensa e em comunicações de Epstein com terceiros – situação diferente da do marido, com presença direta documentada.
Bill Clinton jamais foi indiciado por qualquer crime ligado ao caso. Ainda assim, tornou-se o principal alvo dos republicanos na comissão.
O presidente do colegiado, o deputado James Comer, declarou: “Ficamos fascinados com a forma como Epstein conseguiu se cercar de tantas figuras governamentais de alto escalão, não apenas nos Estados Unidos, mas também em outros países, então acho que muitas perguntas surgirão”.
O depoimento do ex-presidente estava previsto para esta sexta-feira, 27. O casal resistiu durante semanas à convocação, propôs respostas por escrito – como ocorreu com outras testemunhas – e chegou a cogitar ignorar a intimação. No início do mês, contudo, aceitou comparecer.
Para Hillary, o episódio representa mais um capítulo de uma situação que se repete ao longo de décadas: ser chamada a responder, publicamente, por comportamentos do marido que nada têm a ver com sua própria trajetória política. “Meu coração está partido pelas sobreviventes. E estou furiosa em nome deles”, disse ela em sua declaração inicial.
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