Exército nepalês resgata 350 presos em túnel
Militares retiraram trabalhadores e moradores de instalação hidrelétrica atingida por enchente na fronteira com o Tibete
Trezentas e cinquenta pessoas presas em um túnel da Usina Hidrelétrica do Trishuli Superior, no distrito de Rasuwa, foram retiradas com segurança pelo Exército do Nepal nesta quinta-feira, 27.
A operação ocorreu em meio a chuvas intensas e ao avanço de águas de enchente na região, dias após uma avalanche atingir a fronteira entre o país e o Tibete, na China.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro nepalês, mais uma centena de pessoas ainda permanecia presa no local até a divulgação do informe.
Resgate em condições adversas
De acordo com nota oficial do gabinete do primeiro-ministro, publicada junto a um vídeo da operação, uma equipe militar enfrentou cenário de risco elevado para completar a retirada.
O texto descreve que os soldados atuaram “enfrentando condições extremamente arriscadas e desafiadoras — em meio a condições climáticas adversas e águas de enchente que avançavam rapidamente”.
Ainda segundo o comunicado, a preocupação com os trabalhadores presos no túnel havia crescido desde a véspera, quando surgiram os primeiros relatos: “Notícias sobre pessoas presas no túnel da Usina Hidrelétrica do Trishuli Superior vinham gerando grande preocupação desde ontem”.
As forças armadas seguiam mobilizadas para concluir o resgate dos que ainda aguardavam retirada.
Balanço da tragédia
O episódio integra um desastre mais amplo registrado na fronteira entre Nepal e Tibete, provocado por uma avalanche de lama que já soma 392 mortes confirmadas e cerca de 1.500 pessoas desaparecidas nos dois países.
As enxurradas atingiram trechos próximos aos rios Trishuli e Bhote Koshi, no lado nepalês, além da região de Gyirong, do lado tibetano, com destruição de casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia.
A hipótese mais aceita pelas autoridades locais aponta o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, com mais de 7 mil metros de altitude, como origem do fenômeno. O deslocamento de rochas, gelo e água represada teria alimentado o canal do rio Lhende Khola antes de atingir áreas habitadas.
Equipes de resgate enfrentam dificuldade de acesso a vilarejos isolados por causa da lama e dos escombros. Especialistas alertam para o risco de nova inundação, já que um bloqueio de detritos permanece em trecho mais elevado do rio, na área de fronteira entre os dois países.
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