Ex-presidente francês Nicolas Sarkozy é preso em Paris
Ele foi condenado a cinco anos de prisão por conspiração ligada a financiamento líbio
Nicolas Sarkozy começou nesta terça, 21, a cumprir pena de cinco anos na prisão de La Santé, em Paris. É o primeiro ex-presidente francês a ser preso desde o Marechal Philippe Pétain, condenado após a Segunda Guerra por colaborar com o regime nazista.
O Tribunal Criminal de Paris condenou Sarkozy em setembro por conspiração criminosa. Segundo a sentença, ele autorizou aliados a buscar recursos do ditador líbio Muammar Kadafi para financiar a campanha presidencial de 2007. O ex-presidente nega envolvimento e anunciou que recorrerá.
A juíza Nathalie Gavarino determinou execução imediata da pena, sem esperar o julgamento do recurso. A decisão é rara na França e gerou críticas por suposta violação da presunção de inocência. O tribunal justificou a medida pela “gravidade da perturbação da ordem pública” provocada pelos fatos.
Sarkozy, de 70 anos, chegou à prisão acompanhado da mulher, Carla Bruni, e dos filhos. Ficará isolado em cela de cerca de 10 metros quadrados, equipada com chuveiro, mesa e frigobar. Por razões de segurança, não terá contato com outros presos e poderá sair ao pátio duas vezes por dia.
Antes de se entregar, o ex-presidente afirmou: “A verdade prevalecerá. Não tenho medo da prisão.” Seus advogados informaram que vão pedir liberdade condicional assim que ele for formalmente admitido no sistema prisional.
A prisão dividiu o país. O deputado Manuel Bompard, da esquerda radical, declarou que “a lei vale para todos”. Já Marine Le Pen, líder da direita radical, chamou a execução imediata de “um grande perigo” e criticou a decisão antes do recurso.
O presidente Emmanuel Macron, que recebeu Sarkozy no Palácio do Eliseu dias antes da prisão, pediu respeito ao direito de apelação e condenou ameaças à juíza. “O Estado de Direito é a base da nossa democracia”, afirmou.
Sarkozy é o primeiro ex-presidente da Quinta República a cumprir pena de prisão efetiva. Jacques Chirac foi condenado em 2011, mas teve a pena suspensa.
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Comentários (1)
Joaquim Arino Durán
21.10.2025 10:22Mais velho que o Bolsonaro, e menos covarde.