Ex-presidente do Peru é transferido para presídio comum
Martín Vizcarra se tornou o quinto ex-presidente peruano a ser detido nos últimos anos
O ex-presidente peruano Martín Vizcarra (foto) foi transferido na noite de sexta-feira, 22, para a penitenciária de Ancón II, onde cumprirá cinco meses de prisão preventiva determinada pela Justiça. A medida está ligada ao caso do Hospital Lomas de Ilo–Moquegua, em que ele é acusado de receber subornos enquanto governador de Moquegua entre 2011 e 2014.
O transporte de Vizcarra, realizado pelo Instituto Nacional Penitenciário (INPE), saiu da unidade Barbadillo, em Lima, por volta das 20h, com forte esquema de segurança, em direção ao distrito de Ancón. A transferência foi justificada pelo INPE por razões de segurança prisional.
A decisão judicial previa inicialmente que Vizcarra cumprisse a prisão preventiva no centro penitenciário de Lurigancho. O ex-presidente estava detido em Barbadillo, dentro da sede da Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional (Diroes), no distrito de Ate.
Acusações
Em 13 de agosto, um juiz ordenou a prisão preventiva de Vizcarra sob a acusação de ter recebido subornos de US$ 640 mil de construtoras em troca de obras públicas.
Ele se tornou o quinto ex-presidente peruano a ser detido nos últimos anos, ao lado de Alejandro Toledo, Ollanta Humala, Pedro Castillo e Alberto Fujimori, este último perdoado em 2023.
Vizcarra negou as acusações e afirmou ser vítima de perseguição política.
Ele assumiu a Presidência em 2018 após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, de quem era vice, e foi destituído dois anos depois pelo Congresso.
A promotoria também o acusa de integrar uma rede criminosa ligada a empresas de construção e solicitou até 15 anos de prisão.
No relatório do Ministério Público, as propinas recebidas por Vizcarra somariam 2,3 milhões de soles (cerca de US$ 640 mil). Autoridades peruanas realizaram buscas em duas residências do ex-presidente em 2024 no âmbito da investigação.
Durante seu mandato, Vizcarra dissolveu o Congresso em 2019 e convocou eleições legislativas antecipadas. A nova legislatura o destituiu em novembro de 2020, provocando protestos que resultaram em duas mortes.
Ex-presidentes presos
A prisão de Vizcarra ocorre em meio a uma sequência de turbulências políticas no Peru, que teve seis presidentes desde 2018 enfrentando escândalos de corrupção, renúncias ou destituições.
Desde 1980, apenas quatro dos 11 ex-presidentes peruanos não tiveram problemas com a Justiça após deixarem o cargo.
Atualmente, a prisão de Barbadillo abriga outros três ex-presidentes: Toledo, acusado de lavagem de dinheiro; Humala, por corrupção; e Castillo, por tentativa de golpe de Estado. O país também registra o suicídio de Alan García em 2019, quando estava prestes a ser detido.
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