Ex-líder das Farc alerta para risco de violência na Colômbia
Rodrigo Londoño diz que discursos de ódio podem provocar novos confrontos após ameaças do presidente eleito colombiano
O ex-comandante da extinta guerrilha das Farc, Rodrigo Londoño, declarou à agência de notícias AFP que mensagens hostis vindas de figuras públicas representam um perigo concreto para a estabilidade da Colômbia.
O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, prometeu prender o ex-guerrilheiro, conhecido pelo codinome “Timochenko”, e desmontar um dos pilares centrais do acordo de paz assinado em 2016.
Condenado no ano passado pela Jurisdição Especial para a Paz (JEP) a oito anos de trabalhos comunitários por mais de 21 mil sequestros atribuídos às Farc, Londoño fez a declaração durante evento que marcou os dez anos do tratado.
Carta busca diálogo com governo eleito
Segundo a AFP, Londoño e outros seis ex-comandantes históricos da guerrilha, entre eles Pastor Alape, Pablo Catatumbo e Julián Gallo, enviaram uma carta a De la Espriella. No documento, os signatários reafirmam o “compromisso inabalável de honrar” o acordo firmado sob o governo de Juan Manuel Santos, vencedor do Nobel da Paz.
O texto pede reciprocidade por parte do Estado: “Esperamos que o Estado colombiano responda ao compromisso assumido com a mesma honradez”.
Em vídeo publicado na segunda-feira, De la Espriella chamou o ex-guerrilheiro de bandido e afirmou que ele “merece ficar preso pelo resto da vida”, classificando-o como “criminoso de guerra” e definindo a JEP como um “disfarce de tribunal”.
O presidente eleito também anunciou a intenção de encerrar negociações com dissidências das Farc conduzidas pelo governo de Gustavo Petro e de ampliar ofensivas militares, incluindo bombardeios, contra grupos armados ligados ao narcotráfico.
Estigmatização preocupa signatários do acordo
Londoño afirmou à AFP que os que assinaram o tratado de paz enfrentam estigmatização constante: “Há pessoas com tribunas privilegiadas lançando essas mensagens e isso é extremamente perigoso […]. É muito importante baixar o volume dessas mensagens de ódio”.
De acordo com a Missão de Verificação da ONU, citada pela AFP, 492 ex-combatentes que aderiram ao acordo foram assassinados desde a assinatura do pacto.
Para Londoño, a saída passa pela negociação: “Acredito que o diálogo é fundamental para conquistar a paz, para a forma como nós, seres humanos, nos entendemos”. Ele acrescentou que “a sociedade colombiana já amadureceu muito e podemos nos entender e levar a Colômbia adiante, como todos queremos, construindo a partir das nossas diferenças”.
A extinção da JEP dependeria de reforma constitucional a ser aprovada pelo novo Congresso, que assume mandato na próxima semana e no qual o partido de De la Espriella ocupa posição minoritária.
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