Ex-embaixador britânico é preso por suspeita de vazar dados a Epstein
Documentos dos EUA indicam que Peter Mandelson repassou informações sigilosas; marido do diplomata recebeu transferências do bilionário
Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, foi preso nesta segunda-feira, 23, em Londres, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. A detenção está relacionada aos seus vínculos com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto na prisão em 2019.
A investigação foi deflagrada após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que sugerem que Mandelson teria repassado informações governamentais sigilosas a Epstein há cerca de 15 anos. O diplomata, de 72 anos, não enfrenta acusações de natureza sexual.
Informações privilegiadas e pagamentos ao marido
Entre os registros divulgados, há indícios de que Mandelson, quando atuava como secretário de Negócios do governo Gordon Brown (2007–2010), encaminhou a Epstein um documento econômico destinado ao então premier. A mensagem que acompanhava o material dizia: “Nota interessante que foi enviada ao PM”.
Os arquivos indicam transferências financeiras para Reinaldo Ávila da Silva, marido de Mandelson, somando valores que chegam a US$ 75 mil. Em setembro de 2009, Silva enviou um e-mail a Epstein solicitando £ 10 mil. “Transferirei o valor do seu empréstimo imediatamente”, respondeu o bilionário.
Em abril de 2010, Silva enviou novamente seus dados bancários a Epstein, que repassou a mensagem ao seu contador com a instrução de enviar US$ 13 mil. Antes disso, o bilionário já havia determinado depósitos mensais de US$ 2 mil em favor do brasileiro – valor que depois foi revisto para US$ 4 mil por mês.
Questionado sobre as transferências, Mandelson afirmou não se lembrar de ter recebido o dinheiro e disse que precisaria verificar a autenticidade dos documentos.
Queda política e desfiliação partidária
Em setembro de 2025, Mandelson foi demitido do posto de embaixador em Washington – cargo para o qual havia sido nomeado no ano anterior pelo primeiro-ministro Keir Starmer – quando novos e-mails do caso Epstein vieram à tona, revelando que os dois mantinham contato frequente mesmo após a condenação do americano, em 2008.
No início de fevereiro de 2026, Mandelson anunciou sua saída da Câmara dos Lordes. No domingo, 22, véspera de sua prisão, ele se desfiliou do Partido Trabalhista, do qual foi um dos principais articuladores durante a renovação eleitoral nos anos 1990, sob Tony Blair.
Quatro dias atrás, também foi preso o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles 3º, investigado por suspeita de má conduta relacionada a vínculos com Epstein.
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