Ex-conselheiro de Segurança de Trump se declara inocente
John Bolton diz ser alvo de perseguições do Departamento de Justiça dos EUA; Ele é acusado de manuseio indevido de informações confidenciais
O ex-conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump, John Bolton (foto), se declarou inocente nesta sexta, 17, das acusações de manuseio indevido de informações confidenciais.
Ele enfrenta 18 acusações criminais, sendo oito por transmissão de informações de defesa nacional e dez por acusações de retenção de informações de defesa nacional.
Bolton compareceu a uma audiência no tribunal federal em Greenbelt, Maryland, mas logo foi liberado.
Em nota enviada à imprensa na quinta, 16, ele afirmou ser alvo de perseguição por parte do Departamento de Justiça dos EUA.
“Eu me tornei o alvo mais recente (…) do Departamento de Justiça para perseguir aqueles que considera seus inimigos com acusações previamente rejeitadas ou que distorcem os fatos”, diz.
Antes de Bolton, foram acusados o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral do estado de Nova York Letitia James.
Informações confidenciais
As investigações apontam que Bolton teria transmitido informações ultrassecretas usando contas pessoais online e mantido documentos confidenciais em sua residência.
Segundo os promotores, Bolton compartilhou “mais de mil páginas de informações sobre suas atividades cotidianas” com dois indivíduos não autorizados.
Esses documentos revelavam informações sobre futuros ataques, adversários estrangeiros e relações de política externa.
“O caso foi baseado no trabalho meticuloso de profissionais de carreira dedicados do FBI, que acompanharam os fatos sem medo ou favoritismo. A instrumentalização da justiça não será tolerada, e o FBI não medirá esforços para levar à justiça qualquer pessoa que ameace nossa segurança nacional”, disse o diretor do FBI, Kash Patel.
Agentes do FBI já tinham realizado uma operação de busca na casa de Bolton em Maryland.
Na ocasião, eles apreenderam materiais “confidenciais”.
Racha com Trump
Bolton foi nomeado assessor de Segurança Nacional de Trump em abril de 2018.
Ele era defensor de uma política externa mais intervencionista contra regimes autocratas.
Trump, por outro lado, preferia a diplomacia.
O republicano chegou a dizer em tom de ironia: “se eu deixasse o Bolton me guiar, estaríamos em guerra com o mundo inteiro”.
Em setembro de 2019, Trump anunciou a saída de Bolton do governo.
“Informei John Bolton na noite passada que seus serviços não são mais necessários na Casa Branca. Discordei fortemente de muitas de suas sugestões.”
O livro
Após deixar o governo, Bolton lançou o livro The Room Where It Happened (“O Quarto Onde Tudo Aconteceu”), detalhando bastidores da Casa Branca.
Na obra, ele acusou Trump de barganhar com Xi Jinping para obter vantagens eleitorais, favorecer ditadores e ignorar os alertas de assessores.
Trump, então, chamou Bolton de “traidor”.
Desde então, o presidente americano considera o seu ex-assessor um grande inimigo.
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