Ex-CIA é condenado a três anos de prisão por vazar plano de ataque de Israel
Sentença foi menor que o pedido do governo americano, mas puniu vazamento que atrasou retaliação israelense ao Irã
Um ex-analista da CIA foi condenado nesta quarta, 11, a três anos de prisão por vazar documentos ultrassecretos que revelavam os planos de ataque de Israel ao Irã, em outubro do ano passado.
Asif William Rahman, de 34 anos, se declarou culpado em janeiro por ter transmitido informações secretas de defesa nacional enquanto servia na embaixada dos Estados Unidos em Phnom Penh, no Camboja.
Rahman, que trabalhava para a CIA desde 2016 com acesso a documentos marcados como Top Secret e Sensitive Compartmented Information, copiou, fotografou e enviou os registros em 17 de outubro de 2024.
Os documentos indicavam que Israel se preparava para bombardear alvos iranianos em retaliação a um ataque com cerca de 200 mísseis lançado por Teerã dias antes.
O vazamento forçou Israel a suspender sua ofensiva e a adiar os bombardeios por nove dias.
As imagens, obtidas por satélite e extraídas da National Geospatial‑Intelligence Agency, apareceram no canal “Middle East Spectator” no Telegram, e se espalharam por outras redes sociais.
Autoridades israelenses relataram que o vazamento comprometeu a estratégia militar e expôs vulnerabilidades logísticas.
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Rahman imprimiu, fotografou e compartilhou ao menos 15 documentos secretos entre abril e novembro de 2024.
A primeira remessa foi entregue quando ainda atuava na Virgínia, e as seguintes, já no Camboja.
Após os vazamentos, ele destruiu provas.
Segundo o procurador Erik Siebert, Rahman “violou sua posição de confiança ao acessar e divulgar documentos vitais à segurança nacional dos Estados Unidos e de seus aliados”.
Preso pelo FBI ainda em novembro do ano passado, Rahman teve sua autorização de segurança e vínculo empregatício revogados.
Foi extraditado para responder às acusações nos EUA.
Durante o julgamento, ele afirmou: “aceito total responsabilidade pelas minhas ações. Não há desculpa para o que fiz”.
Sua defesa alegou que ele enfrentava luto familiar e traumas acumulados por missões no Iraque, agravados pela guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
O governo americano havia pedido nove anos de prisão.
A juíza federal Patricia Tolliver Giles impôs uma pena inferior: três anos e um mês.
Apesar disso, o procurador classificou a condenação como um “alerta severo a quem coloca interesses pessoais acima da lealdade à nação”.
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