Ex-aliado de Maduro admite culpa e faz acordo nos EUA
Empresário colombiano aceita pagar US$ 195 milhões e fazer “delação premiada” em caso ligado a esquema de corrupção na Venezuela
Um operador econômico ligado ao ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro confessou, perante a Justiça dos Estados Unidos, participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado a um programa estatal de distribuição de alimentos.
Alex Saab admitiu o crime diante da juíza federal Kathleen Williams, em Miami, comprometendo-se a pagar US$ 195 milhões e a fornecer dados sobre integrantes do alto escalão chavista envolvidos no caso.
Confissão muda estratégia de defesa
Segundo o histórico do processo, Saab havia se declarado inocente em 24 de julho, mas revisou sua posição e optou por reconhecer a responsabilidade penal. A mudança de rumo resultou em um acordo de colaboração premiada com o Departamento de Justiça americano.
De acordo com o documento judicial, o empresário reconheceu ter atuado ao lado de funcionários do governo venezuelano em um “esquema ilegal” de propinas e pagamentos irregulares vinculados ao Comitê Local de Abastecimento e Produção (CLAP), programa criado para fornecer itens básicos à população de baixa renda. Parte dos recursos teria sido direcionada a contas no sul da Flórida.
A acusação aponta ainda que o grupo teve acesso a valores oriundos de negócios petrolíferos da estatal PDVSA, utilizando diferentes estruturas empresariais para movimentar dinheiro fora dos circuitos financeiros convencionais, incluindo a importação de mercadorias vindas da Colômbia e do México.
Nomes citados e condições do acordo
O processo identifica nominalmente quatro pessoas associadas ao esquema: Álvaro Pulido Vargas, José Gregorio Vielma Mora, Emmanuel Enrique Rubio González e Carlos Rolando Lizcano. Outros dois participantes aparecem apenas como “co-acusado 1” e “co-acusado 3”, sem que a Promotoria tenha revelado suas identidades publicamente.
O pacto firmado prevê que os promotores solicitem uma pena no patamar mínimo previsto para o crime de conspiração para lavagem de dinheiro, cuja punição máxima é de 20 anos de prisão. Há ainda a possibilidade de redução adicional caso as informações repassadas por Saab se mostrem úteis a outras investigações em curso.
Como contrapartida, o acordo impõe restrições ao empresário: ele não poderá encobrir terceiros com dados falsos, tampouco incriminar deliberadamente pessoas inocentes, nem cometer novos delitos enquanto durar sua colaboração com as autoridades.
Segunda passagem pela Justiça americana
Este é o segundo processo criminal enfrentado por Saab nos Estados Unidos. Ele havia sido preso em 2020 em Cabo Verde, durante escala para reabastecimento de combustível, e posteriormente extraditado sob acusação de desviar cerca de US$ 350 milhões da Venezuela.
Em dezembro de 2023, recebeu perdão do então presidente americano Joe Biden, dentro de uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas. De volta à Venezuela, reassumiu posição na estrutura de poder chavista, mas a mudança política no país o levou a nova prisão e a uma segunda extradição para os Estados Unidos.
Durante a audiência mais recente, Saab relatou fazer uso diário de Zoloft e outros medicamentos, afirmando ter desenvolvido “trastorno de estresse pós-traumático” após a prisão de 2020. O andamento do caso passa agora a depender do cumprimento das obrigações assumidas no acordo de colaboração.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)