Evo tem julgamento suspenso e mandado de prisão renovado
Justiça boliviana exige presença ou captura do réu para reabrir audiência sobre caso de tráfico de menor
O ex-ditador boliviano Evo Morales não compareceu nesta segunda-feira, 11, à abertura de seu julgamento por tráfico de pessoas em Tarija, no sul da Bolívia, levando o tribunal a suspender o processo por prazo indefinido e a renovar a ordem de prisão contra ele. A ausência, prevista pela defesa desde a semana anterior, paralisou formalmente um caso que arrasta disputas jurídicas e políticas há meses.
Julgamento suspenso até prisão ou apresentação voluntária
O promotor responsável pelo caso, Luis Gutiérrez, confirmou em entrevista coletiva que o processo ficará paralisado enquanto Morales e a mãe da suposta vítima — também acusada — não se apresentarem ou forem conduzidos pela polícia. “Já não é da competência do Ministério Público, mas da Polícia Nacional”, cumprir a nova ordem de prisão, declarou Gutiérrez.
O presidente do Tribunal Departamental de Justiça (TDJ), Luis Esteban Ortiz, foi direto ao delimitar as condições para a retomada: “Esta audiência foi suspensa por tempo indeterminado porque duas condições específicas devem ser atendidas — sua prisão ou seu comparecimento voluntário ao julgamento”.
Em janeiro de 2025, após não responder a uma convocação ainda na fase investigativa, Morales já havia sido declarado réu à revelia — condição que, em regra, impede o início formal do processo até que o acusado se apresente.
Defesa alega falta de notificação formal
A ausência foi anunciada com antecedência pelo advogado Wilfredo Chávez, que argumentou que seu cliente não teria sido devidamente intimado. Segundo ele, o tribunal optou por publicar a convocação em decreto oficial em mídia impressa, sem enviá-la ao endereço de Morales — o que, na avaliação da defesa, invalida a exigência de comparecimento.
Morales permanece na região do Chapare, seu principal reduto político, sob proteção de apoiadores que impedem qualquer incursão policial. O ex-presidente nega as acusações e, em publicação recente no X, afirmou: “Não busco impunidade. Quero que meus acusadores demonstrem, com provas legais e reais, os supostos crimes que cometi. Pedi uma justiça imparcial, honesta, objetiva e autônoma do poder político”.
Acusação e contexto do caso
A Procuradoria afirma que Morales manteve, em 2015, um relacionamento com uma adolescente de 15 anos durante seu mandato, com quem teria tido uma filha. Os pais da jovem também figuram como réus, acusados de ter consentido com os fatos em troca de benefícios. A defesa do ex-presidente qualifica o processo como perseguição política orquestrada pelo governo de Rodrigo Paz, de centro-direita, que governa a Bolívia atualmente.
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