Evo Morales pede suspensão dos bloqueios em Cochabamba
Trégua nas estradas bolivianas marca recuo nas mobilizações que pediam saída de Rodrigo Paz, em meio à crise econômica
Evo Morales anunciou nesta segunda-feira, 22, a suspensão temporária dos últimos bloqueios de rodovias mantidos em Cochabamba, seu principal bastião político. A decisão encerra, por ora, o ciclo de protestos que ainda resistia no centro do país e que exigia a saída do presidente Rodrigo Paz.
O anúncio ocorreu ao fim de uma assembleia de líderes cocaleiros em Lauca Eñe, depois que dirigentes locais pediram uma pausa nas manifestações, já interrompidas no restante da Bolívia.
Decisão veio após pedido de lideranças
Segundo O Globo, Morales atendeu a uma solicitação de representantes locais para declarar trégua, argumento reforçado pelo fato de os bloqueios em outras regiões já terem cessado. Ao justificar a medida, o ex-presidente disse: “Por enquanto, faremos uma pausa. Isso não significa que estamos nos rendendo”.
A paralisação parcial das estradas em Cochabamba era o último foco de resistência três dias após Paz decretar estado de emergência para dissolver os atos. A medida sucedeu um pacto firmado na sexta-feira com a Central Operária Boliviana (COB), maior entidade sindical do país, voltado à pacificação nacional.
Paz ordenou ação de forças de segurança
Em pronunciamento televisivo, o presidente afirmou ter determinado à Polícia Boliviana e às Forças Armadas a adoção de medidas para liberar vias, garantir a livre circulação e assegurar a proteção da população. Ele classificou os atos como uma tentativa de desestabilização ligada ao narcotráfico, sem apresentar provas.
Em publicação nas redes sociais, Paz declarou que a população não poderia continuar impedida de trabalhar, estudar, buscar atendimento médico e obter abastecimento por causa dos bloqueios.
O decreto de emergência, publicado no Diário Oficial horas depois, tem validade de até 90 dias e ainda precisa de aprovação do Congresso. Os ministérios do Governo e da Defesa devem editar normas conjuntas para restringir, quando necessário, direitos de circulação e reunião.
Ao jornal La Razón, o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, assegurou que a aplicação da medida seria restrita às áreas de conflito, sem afetar regiões pacificadas.
Origem dos protestos remonta a maio
As mobilizações começaram no início de maio, lideradas por trabalhadores, agricultores e povos indígenas que reivindicavam solução para a crise econômica — a mais grave em quatro décadas no país — e protestavam contra a venda de combustível de baixa qualidade. Sem resposta do governo, os grupos passaram a exigir a renúncia presidencial, espalhando bloqueios por diversas regiões.
A capital La Paz e a vizinha El Alto enfrentaram dias de confrontos com a polícia e escassez de alimentos, remédios e combustível. O governo, que assumiu em novembro após duas décadas de gestões de esquerda, atribui a Morales a articulação dos protestos, acusação que ele nega. Para evitar um mandado de prisão, ele permanece escondido na região do Chapare.
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