Europa e Ásia mobilizam defesas após retaliação iraniana
Aliados ocidentais e asiáticos enviam navios de guerra, caças e sistemas antidrone ao Mediterrâneo Oriental diante da escalada do conflito
Países europeus e asiáticos ativaram dispositivos militares de caráter defensivo no Oriente Médio após o Irã ampliar seus ataques retaliatórios contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel em territórios vizinhos. Segundo O Globo, a mobilização inclui fragatas, porta-aviões, caças e sistemas de defesa antidrone, com o objetivo de proteger instalações estratégicas e cidadãos na região.
Chipre no centro das tensões
O Reino Unido foi um dos primeiros a reagir. Após o ataque à base aérea da RAF em Akrotiri, no Chipre, Londres anunciou o envio do destróier HMS Dragon e de helicópteros com capacidade antidrone da Marinha Real para reforçar a segurança da instalação. O governo britânico classificou a participação de seus aviões na região como “operações defensivas”.
A França confirmou a chegada da fragata Languedoc ao Chipre na noite de terça-feira e o envio de sistemas adicionais de defesa aérea. Em seguida, o presidente Emmanuel Macron anunciou que o porta-aviões Charles de Gaulle, único do país, seria deslocado para o Mediterrâneo. “O Chipre foi alvo de ataques nos últimos dias e precisa do nosso apoio”, declarou Macron.
A Grécia também acionou suas forças. Na segunda-feira anterior, Atenas informou o envio de quatro caças F-16 e duas fragatas ao Chipre, uma delas equipada com sistema de interferência antidrone. Em visita a Nicósia na terça-feira, o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, afirmou que “a Grécia continuará presente para auxiliar de todas as formas na defesa da República de Chipre”.
Otan intercepta míssil e Paquistão alerta o Irã
Na quarta-feira, sistemas de defesa aérea da Otan abateram um míssil iraniano que se dirigia ao espaço aéreo da Turquia. O Ministério da Defesa turco informou que “uma munição balística lançada do Irã, que foi detectada atravessando o espaço aéreo iraquiano e sírio e seguindo em direção ao espaço aéreo turco, foi interceptada em tempo hábil pelos sistemas de defesa aérea e antimíssil da Otan posicionados no Mediterrâneo Oriental e neutralizada”.
A porta-voz da Otan, Allison Hart, condenou os ataques e reafirmou que “nossa postura de dissuasão e defesa permanece forte em todos os domínios, inclusive no que diz respeito à defesa aérea e antimíssil”.
Também na terça-feira, 3, o Irã lançou ataques em Riad e na Província Oriental da Arábia Saudita. O Ministério da Defesa saudita informou que os drones foram interceptados.
Em resposta, o vice-primeiro-ministro do Paquistão, Ishaq Dar, lembrou Teerã do pacto de defesa mútua entre Islamabad e Riad. “Assinamos um Acordo Estratégico de Defesa Mútua com a Arábia Saudita e o mundo inteiro sabe disso. É um acordo soberano. Estamos vinculados a ele”, disse Dar no Senado paquistanês.
Divisões na Europa e mediação chinesa
Alemanha, França e Reino Unido não endossaram nem condenaram os ataques americano-israelenses. Em declaração conjunta, os três países condenaram a retaliação iraniana, reiteraram críticas ao regime de Teerã e pediram a “retomada das negociações”.
A Espanha tomou posição: o presidente Pedro Sánchez recusou qualquer envolvimento do país no conflito, mesmo diante de ameaças comerciais dos Estados Unidos. “Não seremos cúmplices de algo que seja ruim para o mundo, nem contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente para evitar represálias de alguém”, afirmou Sánchez em pronunciamento televisivo nesta quarta-feira, 4.
A China anunciou o envio de um enviado especial ao Oriente Médio para mediar o conflito. O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, comunicou a decisão a seus pares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
Em conversa com Abdullah bin Zayed Al Nahyan, chanceler dos Emirados, Wang defendeu que a “linha vermelha” de proteção de civis não seja ultrapassada e que alvos não militares, como infraestrutura de energia, sejam poupados.
O ministro chinês também pediu a preservação das rotas marítimas no Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após os bombardeios. A passagem é estratégica para o abastecimento mundial de petróleo.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)