EUA suspendem manobra militar com a Coreia do Sul
Divergências sobre o Irã e custos militares marcam mais um capítulo de tensão entre Washington e Seul
Os Estados Unidos suspenderam um exercício militar conjunto com a Coreia do Sul marcado para o mês que vem, informou o governo sul-coreano nesta segunda-feira, 24. A decisão foi motivada pela falta de disponibilidade de tropas americanas, deslocadas para o conflito contra o Irã.
Trata-se da segunda vez em menos de duas semanas que a Casa Branca recua em compromissos militares com o aliado asiático.
Segunda redução em duas semanas
O treinamento cancelado, batizado de exercício anfíbio, ocorre a cada dois anos e reúne fuzileiros navais dos dois países em simulações de desembarque em praias sob ameaça. A prática busca reforçar a capacidade de resposta conjunta diante da Coreia do Norte, país que segue tecnicamente em guerra com o vizinho do Sul.
Dias antes, o presidente Donald Trump já havia determinado o encurtamento de outra manobra anual, reduzida de onze para cinco dias de duração. Segundo o republicano, os exercícios têm custo elevado e transmitem um sinal “inadequado e hostil” a Pyongyang, justificando a medida pelo bom relacionamento que afirma manter com o ditador norte-coreano, Kim Jong-un.
Irã e desnuclearização como pano de fundo
Trump também associou a decisão à recusa sul-coreana em apoiar operações militares dos EUA contra o Irã. Segundo o presidente americano, ele próprio teria indagado à Coreia do Sul sobre uma possível adesão à campanha de desnuclearização da República Islâmica, recebendo como resposta: “Não, obrigado!”.
Diante disso, Trump declarou: “Portanto, e considerando que já é tarde demais para cancelar completamente os exercícios, instruí o secretário da Guerra, Pete Hegseth, a reduzir substancialmente os exercícios militares conjuntos”.
O Pentágono não se manifestou até o momento sobre o cancelamento da manobra anfíbia. Trump é crítico antigo dos treinamentos com Seul e mantém divergências recorrentes com o governo sul-coreano quanto à divisão de custos da presença de cerca de 28,5 mil militares americanos no país.
A Coreia do Norte, por sua vez, testou recentemente mísseis balísticos em direção ao Mar do Japão. Trump mencionou neste mês que o regime teria 57 armas nucleares, número que o governo sul-coreano estima entre 80 e 120 ogivas.
Apesar dos episódios de tensão — que incluem trocas de insultos, como quando Kim prometeu “domar com fogo o idoso americano mentalmente perturbado” —, os dois líderes já participaram de três encontros bilaterais, sem que o programa nuclear norte-coreano tenha sido alterado.
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