EUA: Pesquisadores chineses acusados de contrabando de material biológico
Departamento de Justiça afirma que estrangeiros ligados a laboratório universitário receberam cargas não declaradas e tentaram sair do país após início de investigação
O governo dos Estados Unidos apresentou acusações criminais contra três pesquisadores chineses por conspiração para contrabandear materiais biológicos e por falsas declarações a autoridades, informou o Departamento de Justiça.
Os três atuavam como pesquisadores estrangeiros na Universidade de Michigan com visto de intercâmbio científico e, segundo a acusação, receberam remessas internacionais não declaradas contendo substâncias relacionadas a vermes microscópicos.
Os acusados foram identificados como Xu Bai, de 28 anos, Fengfan Zhang, de 27, e Zhiyong Zhang, de 30. De acordo com a Promotoria do Distrito Leste de Michigan, Bai e Fengfan Zhang são suspeitos de conspirar para introduzir no país material biológico enviado da China sem informar a alfândega. Zhiyong Zhang é acusado de mentir a agentes federais durante uma inspeção.
Segundo a investigação, os três trabalhavam no laboratório chefiado pelo professor Xianzhong “Shawn” Xu. O material teria sido remetido por Chengxuan Han, doutoranda da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, em Wuhan, que enviou múltiplos pacotes a pessoas ligadas ao grupo.
Autoridades afirmam que as caixas continham substâncias associadas a vermes e que o conteúdo não foi descrito às autoridades aduaneiras, como exige a lei americana.
Os procuradores relatam que os pesquisadores tentaram deixar os Estados Unidos na madrugada de 16 de outubro de 2025, pelo aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, após remarcações sucessivas de voos.
Durante a inspeção, segundo os investigadores, Zhiyong Zhang apresentou informações falsas sobre a participação de Han, enquanto Xu Bai e Fengfan Zhang admitiram ter recebido pacotes enviados por ela, inclusive depois de sua prisão ou deportação.
A Universidade de Michigan informou que abriu apuração interna após a prisão de Han e convocou os pesquisadores para uma reunião obrigatória.
De acordo com a instituição, os três foram desligados por não comparecer e por se recusarem a colaborar com o processo administrativo. Após o desligamento, ficaram sujeitos a medidas migratórias previstas em seus vistos de pesquisa.
Chengxuan Han foi interceptada em 8 de junho de 2025 no aeroporto de Detroit, segundo a Promotoria do Distrito Leste de Michigan.
Em audiência posterior, admitiu três crimes de contrabando e uma acusação de declaração falsa. Recebeu sentença de tempo já cumprido em 10 de setembro e foi deportada, com proibição de retorno aos Estados Unidos.
De acordo com a investigação, dias antes de viajar ela apagou dados de seus dispositivos eletrônicos.
O Departamento de Justiça ressaltou que o caso ocorre em paralelo a outra ação, anunciada em 3 de junho, contra os pesquisadores chineses Yunqing Jian e Zunyong Liu, acusados de contrabandear o fungo Fusarium graminearum para pesquisa no mesmo ambiente universitário.
O FBI descreveu o fungo como causador de doenças em cereais e a promotoria destacou que ele é classificado por cientistas como possível agente de agroterrorismo.
O Antagonista noticiou o episódio em junho, explicando que o fungo é considerado uma ameaça a lavouras de trigo e milho e pode ser usado como arma de agroterrorismo.
Segundo a reportagem, o material foi escondido em lenços de papel e mensagens apreendidas mostraram a coordenação entre os envolvidos. O caso foi tratado como uma questão de segurança nacional e aumentou a vigilância sobre pesquisadores chineses nos Estados Unidos.
O portal também noticiou o desdobramento, quando o FBI prendeu uma das cientistas envolvidas, ressaltando que o material era letal e representava risco à segurança dos EUA.
Em nota, a procuradora-geral americana afirmou que “tentar contrabandear materiais biológicos sob o pretexto de ‘pesquisa’ é crime grave que ameaça a segurança nacional e agrícola”.
A declaração foi divulgada após a apresentação das acusações formais contra o trio ligado ao laboratório universitário.
O Departamento de Educação dos Estados Unidos comunicou, em 15 de julho, que instaurou investigação sobre a Universidade de Michigan por suspeita de omissão em informações sobre financiamento estrangeiro.
O órgão apontou possíveis “divulgações imprecisas e incompletas” de doações e contratos, solicitou documentos desde 2020 e citou, como contexto, o encerramento de parceria de duas décadas com uma instituição chinesa e as recentes acusações criminais envolvendo materiais biológicos.
As autoridades federais enfatizam que a queixa criminal é uma acusação inicial e que os réus são considerados inocentes até julgamento.
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