EUA perdem protagonismo em produção de energia limpa para a China
Decisões da gestão Trump em favor de combustíveis fósseis pavimentam a liderança asiática na economia global de tecnologia renovável
Os Estados Unidos já foram pioneiros em tecnologia solar, mas agora observam a China – um dos maiores poluidores do mundo – consolidar sua liderança no setor de energia limpa, desde que a gestão Trump implementou políticas que diminuíram o apoio federal a energias renováveis e minimizaram a ciência climática, em favor das indústrias de combustíveis fósseis.
A China exportou US$ 40 bilhões em painéis solares e módulos, um contraste com os US$ 69 milhões enviados pelos EUA. Enquanto isso, cientistas reagem à desinformação climática governamental.
De acordo com James Temple, da MIT Technology Review, a atuação de Trump para proteger setores tradicionais como carvão, petróleo e gás natural, recursos abundantes nos EUA, tem sido citada como um fator para a desaceleração americana.
Essa estratégia motivou cortes em subsídios para energia solar e eólica, previstos em legislação de 2022. Além disso, houve redução no apoio a projetos de tecnologia limpa que dependem de materiais chineses, tornando muitas iniciativas inviáveis financeiramente nos EUA. O financiamento federal para a ciência e as universidades de pesquisa também foi reduzido, enfraquecendo a base para futuras inovações energéticas.
Em contrapartida, a China estabeleceu o setor solar como prioridade nacional no final dos anos 2000, usando subsídios, políticas direcionadas e estratégias de preços para ampliar a produção e reduzir custos. Movimentos similares foram realizados em baterias, veículos elétricos e turbinas eólicas.
Reação científica, disputa climática – e retórica
A gestão Trump, no início deste verão, anunciou a intenção de revogar a “constatação de perigo” da era Obama, que serve como base legal para regular a poluição por gases de efeito estufa. A agência fundamenta sua posição em um relatório que, segundo críticos, recicla argumentos antigos de negação climática, afirmando que o aumento das emissões não gerou os danos previstos pelos cientistas.
Mais de 85 cientistas enviaram uma resposta de 459 páginas ao governo federal. Eles apontaram que o relatório “é tendencioso, cheio de erros e não é adequado para informar a formulação de políticas”, conforme afirmou Bob Kopp, cientista climático da Rutgers.
Os revisores destacaram que as conclusões falhas foram alcançadas por meio de “filtragem seletiva de evidências (‘cherry picking’), ênfase excessiva nas incertezas, citações erradas de pesquisas revisadas por pares e um desprezo geral pela grande maioria das décadas de pesquisa revisada por pares”. Karen McKinnon, pesquisadora climática da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ressalta que, legalmente, o governo é obrigado a considerar outras perspectivas.
A vantagem chinesa
A China instalou quase o triplo de turbinas eólicas que os EUA, e produz mais que o dobro de energia solar. O país abriga cinco das dez maiores empresas de veículos elétricos e os três maiores fabricantes de turbinas eólicas a nível global. Além disso, domina o mercado de baterias, produzindo a maior parte dos componentes essenciais que alimentam veículos, redes e dispositivos.
A nação asiática tem capitalizado a transição para a energia limpa para modernizar suas indústrias, criar empregos e fortalecer laços comerciais, expandindo sua influência global. Investidores americanos em tecnologia climática já procuram mercados externos onde o apoio governamental é consistente, preocupados com a viabilidade de novos negócios nos EUA, caso os subsídios desapareçam e o financiamento diminua.
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