EUA não descartam novo ataque contra o Irã
Secretário de Defesa dos EUA diz que forças americanas estão prontas para agir contra Teerã caso pressão econômica não seja suficiente
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou nesta segunda-feira, 24, que o governo do presidente Donald Trump mantém aberta a possibilidade de realizar ataques militares contra o Irã.
De acordo com o Infobae, a fala ocorreu durante evento do Pentágono em Oshkosh, no estado americano de Wisconsin, batizado de “Arsenal of Freedom”, em meio a um conflito que já dura seis meses.
Pressão militar e econômica
Hegseth afirmou que a estratégia atual prioriza sanções econômicas, mas não elimina a hipótese de ação militar: “De forma alguma estamos descartando o uso de ataques cinéticos em qualquer ponto do Estreito de Ormuz ou nos arredores do Irã”, disse o secretário.
Ele acrescentou que uma resposta armada dependeria do comportamento iraniano: “Se precisarmos usar ataques cinéticos, nós os usaremos. Se o Irã for imprudente a ponto de superestimar sua posição ou se meter com o Exército americano, faremos o que tivermos que fazer”.
Horas antes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia anunciado a chamada “Operação Economic Outcast”, pacote de sanções qualificado por ele como “sem precedentes”.
A medida pressiona países com laços financeiros com Teerã a romperem essas relações, sob risco de exclusão do sistema baseado no dólar.
“Espero que, muito em breve, se não responderem, vejam as ramificações de suas ações”, declarou Bessent, que evitou detalhar as sanções: “Por que eu iria querer explodir o sistema financeiro global?”
Controle do Estreito de Ormuz
Segundo o texto que serviu de base a esta reportagem, o Pentágono reivindica domínio sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima usada para escoamento de parte significativa do petróleo mundial.
Hegseth classificou o bloqueio naval como “a prova de balas” e afirmou: “O Irã não consegue fazer nada passar; nós, sim, conseguimos. A economia mundial sabe disso, e eles apostaram forte para controlá-lo e não conseguem”.
Dados da empresa de monitoramento de embarcações Kpler mostram queda no tráfego marítimo pela região: apenas cinco navios cruzaram o estreito no domingo, ante 25 no sábado e 21 na sexta-feira.
O Comando Central dos Estados Unidos informou ainda o redirecionamento de 71 embarcações comerciais, a inabilitação de três e o abordo de outras duas desde a retomada do bloqueio.
Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, negou efeito às declarações americanas em rede social: “Os americanos sabem que ninguém compra suas bravatas; os Estados Unidos não estão em posição econômica de restringir ainda mais suas relações com outros países”.
Já o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, reforçou o discurso da Casa Branca sobre o programa nuclear iraniano: “O presidente deixou claro que verá o fim da ameaça nuclear iraniana. Verá esse objetivo cumprido de uma forma ou de outra”.
Ele diferenciou a postura de Trump em relação a antecessores: “Os presidentes do passado simplesmente identificaram a ameaça. O presidente Trump está tomando medidas para evitar que ela se torne realidade”.
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