EUA: Estudante trans confessa plano de massacre em escola
Acusado mantinha “santuário” com fotos de atiradores em casa; pode pegar até 30 anos de prisão
Um estudante de 18 anos se declarou culpado por planejar um massacre em uma escola pública no Dia dos Namorados, nos Estados Unidos. A confissão foi aceita na segunda, 27, pelo tribunal do condado de Morgan, em Indiana.
O réu, que se identifica como “homem trans”, admitiu o crime de conspiração para homicídio. Duas acusações de intimidação com finalidade de terrorismo foram retiradas após o acordo com a promotoria.
A sentença será lida em 24 de novembro. Pela lei de Indiana, o crime é punido com pena entre 10 e 30 anos de prisão.
A investigação começou após o FBI em Indianápolis receber uma denúncia sobre o plano para atacar a Mooresville High School no dia 14 de fevereiro. O informante relatou que o jovem tinha acesso a um fuzil AR-15 e havia comprado um colete à prova de balas.
Segundo a polícia, o ataque seria realizado no horário do almoço, “por ser o momento com mais pessoas reunidas”.
Durante uma busca na casa do acusado, o gabinete do xerife encontrou um “santuário” com fotos e objetos ligados a autores de massacres recentes.
Entre eles, Nikolas Cruz, responsável pelo ataque em Parkland; Dylann Roof, condenado pelo assassinato de nove pessoas em uma igreja na Carolina do Sul; e Ethan Crumbley, autor do massacre em Michigan.
Os investigadores também apreenderam cadernos e mensagens trocadas em aplicativos. Nelas, o estudante usava o apelido “Crazy Nikolaz” e mencionava “Parkland parte dois”.
Em um diário de dezembro de 2024, o réu escreveu: “Sou Dex, um homem trans com muitos pensamentos homicidas. Tenho medo de viver. Talvez usem isso no seu massacre.”
Ao depor, disse que tudo não passava de “brincadeira” e que buscava ajuda psiquiátrica. Contou ainda que sofreu bullying após um acidente de trânsito em 2022 que o deixou com traumatismo craniano.
A defesa pediu pena máxima de 12 anos e meio, com mais cinco de liberdade vigiada. O acordo prevê acompanhamento psicológico e proibição de acessar conteúdos sobre ataques escolares ou frequentar escolas do condado.
Casos semelhantes envolvendo autores transgênero ou em transição têm sido documentados em investigações recentes nos Estados Unidos.
Em março de 2023, Audrey Hale, 28 anos, matou seis pessoas em uma escola cristã em Nashville após meses de planejamento.
No Colorado, Alec McKinney, então com 16 anos, participou de um tiroteio em 2019 que deixou um morto e oito feridos.
Em Maryland, em 2018, Snochia Moseley matou três colegas de trabalho e se suicidou.
Há também planos frustrados, como o de William “Lilly” Whitworth, preso em 2023 antes de atacar escolas e igrejas em Colorado Springs, e o de Robin Westman, em Minneapolis, que matou duas crianças em agosto de 2025.
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