EUA e Rússia pedem reunião urgente na ONU após mortes na Síria
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), civis da minoria alauíta são as principais vítimas
A escalada de violência na Síria nos últimos dias levou os Estados Unidos e a Rússia a pedirem uma reunião de urgência no Conselho de Segurança da ONU, marcada para esta segunda-feira, 10. A reunião será fechada ao público.
De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), entre sábado e domingo, 745 civis, 125 membros das forças de segurança sírias e 148 combatentes leais ao ex-presidente Bashar al-Assad foram mortos. O governo sírio não divulgou números oficiais.
A violência começou com a repressão do novo governo a uma insurgência da minoria alauita, à qual Assad pertence, nas províncias de Latakia e Tartous.
O presidente interino, Ahmad al-Sharaa, prometeu responsabilizar os culpados pelas mortes e anunciou a criação de uma comissão independente para investigar as violações contra civis.
Em discurso transmitido em rede nacional, Sharaa afirmou que ninguém estaria acima da lei e acusou seguidores de Assad e potências estrangeiras de incitar o caos no país.
Os alauítas negaram a versão do governo e afirmaram que têm sido perseguidos por radicais sunitas desde a queda de Assad, em dezembro.
Rami Abdulrahman, chefe do OSDH, afirmou que entre os mortos estão mulheres e crianças alauitas, e que o número de vítimas é um dos mais altos desde o ataque com armas químicas em 2013, que matou cerca de 1.400 pessoas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, condenou os “terroristas islâmicos radicais” e pediu que os responsáveis pelas mortes sejam punidos. O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Lammy, também se manifestou e pediu que as autoridades sírias garantam a proteção de todos os civis.
Comissão
O governo sírio, pressionado pela comunidade internacional, anunciou a formação de uma comissão para investigar as mortes.
Nos confrontos, pelo menos 200 membros das forças de segurança sírias foram mortos após ataques coordenados de ex-militares leais a Assad.
A violência escalou com o envio de milhares de apoiadores armados do novo governo sírio para as áreas costeiras, intensificando os confrontos com combatentes alauitas.
Israel acusa de “massacre”
O ministro da Defesa, Israel Katz, culpou o presidente interino da Síria, Ahmed al-Shaara, também conhecido como al-Jolani quando lidera o Hay’at Tharir al-Sham (HTS), pelas execuções.
“Al-jolani tirou sua galabiya [roupa árabe tradicional], vestiu um terno e apresentou uma fachada moderada. Agora, ele tirou a máscara, revelando seu verdadeiro rosto: o de um terrorista jihadista da escola da Al Qaeda que comete atrocidades contra a população civil alauita“, disse.
Katz fez menção à troca de vestimentas de Jolani, que abandonou a roupa de guerra e passou a usar ternos para representar a Síria como o novo presidente.
Segundo o ministro, Israel vai “se defender contra qualquer ameaça” e protegerá as comunidades das Colinas de Golã e Galileia.
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