EUA: Carta branca para caça a terroristas
Mudança na política de contra-terrorismo descentraliza ataques e acelera execuções de alvos
Sebastian Gorka, assessor adjunto do presidente Donald Trump e diretor sênior para contraterrorismo, implementou mudanças radicais na política de operações letais dos Estados Unidos.
Sob sua nova diretriz, a CIA e os militares americanos passaram a ter autonomia para autorizar ataques aéreos e com drones sem necessidade de aprovação presidencial direta.
A medida, segundo Gorka, reverte “quatro anos de insanidade” e devolve a iniciativa às forças de segurança americanas na luta contra o terrorismo islâmico.
A mudança confere maior poder de decisão a oficiais intermediários da CIA e do Pentágono, eliminando burocracias que, segundo críticos da administração anterior, atrasavam ações contra alvos estratégicos.
Em entrevista ao The Free Press, Gorka relatou um caso simbólico: ao ser informado que um líder do Estado Islâmico na Somália, Ahmed Maeleninine, estava sob vigilância há um ano e meio sem que qualquer ação fosse tomada, Trump teria reagido com indignação.
“O que você quer dizer com ‘estamos observando ele há um ano e meio’? Matem-no”, teria dito o presidente. O ataque foi autorizado de imediato e, em 11 de fevereiro, Maeleninine e 13 jihadistas foram eliminados.
Desde o início do segundo mandato de Trump, ao menos 23 terroristas foram mortos em ataques aéreos dos EUA na Síria e na Somália.
Um dos casos mais notáveis ocorreu em 23 de fevereiro, quando um ataque com drones eliminou um facilitador da Al-Qaeda na Síria. A operação utilizou o míssil “Ninja bomb”, projetado para neutralizar alvos sem explosões, reduzindo riscos de baixas civis.
Durante o governo Biden, os EUA também conduziram operações contra grupos jihadistas, mas em um ritmo considerado insuficiente por especialistas.
Após a eleição de 2024, Biden autorizou bombardeios contra campos do Estado Islâmico na Síria e contra arsenais de terroristas houthis no Iêmen. O ataque mais marcante de sua gestão foi a eliminação do líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, em 2022, no Afeganistão.
Bill Roggio, da Foundation for Defense of Democracies, elogiou a nova abordagem: “Era hora de afrouxar as regras. Antes, o processo era excessivamente burocrático e levava à perda de alvos valiosos”.
A maior vitória de Gorka até agora foi a captura de Mohammad Sharifullah, conhecido como “Jafar”, apontado como responsável pelo atentado suicida de 2021 no aeroporto de Cabul, que matou 13 militares americanos e 160 civis afegãos.
Em discurso ao Congresso, Trump anunciou pessoalmente a prisão do terrorista, extraditado do Paquistão para os EUA.
Gorka, que retornou ao governo Trump após um período como comentarista político, garante que a nova política não representa um afastamento da doutrina “America First”, mas sim sua aplicação pragmática.
“Quando o presidente diz ‘America First’, isso não significa América isolada. Significa que perseguiremos nosso interesse nacional, e, se você compartilha nossos valores, trabalharemos juntos”, declarou ao The Free Press.
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