EUA anunciarão novas tarifas para cerca de 60 países, incluindo o Brasil
Representante comercial Jamieson Greer disse que as medidas substituirão a tarifa temporária de 10%
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta terça, 21, que o governo americano anunciará, nos próximos dias, uma nova rodada de tarifas para cerca de 60 países, entre eles o Brasil.
As medidas devem substituir a tarifa temporária de 10% adotada pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte derrubar, no ano passado, as sobretaxas impostas pelo governo.
“Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato. Esperamos ver algumas ações em breve”, disse Greer à CNBC.
Investigação do USTR
O novo tarifaço é resultado de uma investigação do USTR, que teve início em julho de 2025.
Neste ano, Jamieson Greer propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essa é uma ferramenta que permite que os Estados Unidos investiguem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O órgão americano alega que políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
Greer, por exemplo, referiu-se ao Pix como um “campeão nacional” que “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”.
Justificativas
Segundo o governo americano, os produtos isentos são considerados estratégicos para a indústria dos Estados Unidos por haver baixa oferta doméstica ou dificuldade de substituição por fornecedores locais.
Por outro lado, os Estados Unidos rejeitaram pedidos de isenção apresentados por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos produtos manufaturados.
O USTR também retirou da lista de exceções a celulose de alta pureza, após receber manifestações alegando que produtores brasileiros do insumo seriam beneficiados por práticas relacionadas ao desmatamento ilegal.
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