EUA anunciam retomada de testes nucleares após três décadas
País não detona ogivas desde 1992; Trump cita Rússia e China como justificativa
O governo dos Estados Unidos anunciou a retomada imediata de testes ligados ao arsenal nuclear. A ordem foi divulgada em rede social na quarta, 29, e reiterada na quinta, 30, durante voo de retorno ao país, com promessa de um comunicado oficial com mais detalhes.
Em sua mensagem, o presidente afirmou ter instruído os militares a agir “em igualdade de condições” com outras potências. “Devido aos programas de testes de outros países, instrui o Departamento de Guerra a iniciar os testes. Esse processo começará imediatamente”, escreveu.
A Casa Branca não esclareceu se haverá detonações de ogivas ou apenas testes de mísseis e outros meios de lançamento. O Pentágono informou que o escopo e o cronograma serão anunciados oportunamente, após consultas técnicas.
O anúncio ocorreu horas antes do encontro com o líder chinês em Busan, na Coreia do Sul. Questionado por repórteres, o presidente disse não ver um ambiente nuclear “mais arriscado” e reafirmou que gostaria de “ver uma desnuclearização”.
Os Estados Unidos não realizam explosões nucleares desde 23 de setembro de 1992, em instalação subterrânea em Nevada. Desde então, o Departamento de Energia mantém a confiabilidade das ogivas por meio de simulações avançadas e experimentos subcríticos, que não geram explosões.
O país assinou, em 1996, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, mas não o ratificou. Em 2023, a Rússia revogou sua ratificação, embora tenha dito que seguiria a moratória enquanto Washington não testasse.
Moscou divulgou nesta semana testes de um drone submarino com propulsão nuclear e de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear. O Kremlin descreveu os sistemas como capazes de longos alcances e profundidades, sem admitir detonações em ensaios.
Pequim reagiu oficialmente. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, os Estados Unidos são instados a “cumprir de boa-fé” a proibição global de testes e a evitar medidas que fragilizem o regime de não proliferação.
Especialistas em controle de armamentos afirmam que os recursos de modelagem e experimentos sem explosão bastam para certificar o arsenal americano. Para ex-assessores de segurança, retomar explosões poderia favorecer países que buscam validar novos desenhos de armas.
Centros independentes estimam que a Rússia mantém hoje o maior estoque de ogivas, seguida pelos Estados Unidos. Avaliações do Pentágono e de institutos como o Sipri indicam expansão acelerada do arsenal chinês até 2030.
Não há confirmação de que Coreia do Norte, Rússia ou China estejam realizando testes subterrâneos com explosões neste momento. A Coreia do Norte não detona desde 2017, segundo registros internacionais de monitoramento sísmico.
A execução de um teste nuclear completo nos Estados Unidos exigiria meses de preparação. Equipes, instrumentação, segurança radiológica e protocolos de Nevada teriam de ser reativados e auditados antes de qualquer detonação.
O governo americano informou que publicará os atos administrativos necessários. O documento deverá definir tipo de teste, local, salvaguardas e prazos, sob responsabilidade técnica do Departamento de Energia e coordenação operacional do Pentágono.
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