EUA acusam Maduro de autorizar tortura de opositores
Nova denúncia atribui ao ex-ditador e à esposa participação em esquema de repressão política, somado ao processo por tráfico de drogas
Promotores dos Estados Unidos apresentaram nesta quinta-feira, 8, uma versão revisada da acusação contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
O documento inclui a alegação de que o casal integrou uma conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos. Os dois negam as acusações, que se somam às de tráfico de drogas e armas já em andamento na Justiça de Nova York.
Sistema de repressão
De acordo com o texto, Maduro teria autorizado o uso de tortura contra pessoas específicas e supervisionado um sistema de detenções arbitrárias e violência voltado a conter a oposição. Os promotores descrevem episódios de choques elétricos, espancamentos e asfixia. Segundo a acusação, as violações faziam parte de uma estratégia para manter o casal no poder.
Organizações de direitos humanos denunciam há anos a prática de tortura por autoridades venezuelanas contra detidos. A denúncia desta quinta-feira é a primeira em que Maduro é responsabilizado diretamente por esses atos em um processo nos Estados Unidos.
Pedido de prisão domiciliar
Flores, de 69 anos, deveria comparecer ao tribunal federal de Manhattan para pedir a transferência da prisão para o regime domiciliar, por motivos de saúde. Os advogados afirmam que ela perdeu cerca de 11,4 quilos desde a detenção, tem tontura e falta de ar e pode ter sofrido um infarto leve em julho.
A defesa propõe que ela cumpra a medida em uma residência em Nova York, sob vigilância permanente. Os promotores se opõem. Para eles, Flores representa “risco extremo de fuga e perigo para a sociedade” se for solta. Afirmam ainda que ela recebeu atendimento hospitalar sempre que precisou.
Captura e julgamento
Maduro, de 63 anos, e Flores estão presos em um centro federal no Brooklyn. O julgamento está previsto para junho do próximo ano. O casal foi capturado na madrugada de 3 de janeiro, em sua residência em Caracas, e levado a Nova York.
O presidente americano, Donald Trump, classificou a ação como uma “operação cirúrgica de aplicação da lei”. Maduro afirma ser prisioneiro de guerra e chama a captura de sequestro. Segundo a fonte, as relações entre Washington e Caracas foram marcadas por tensão durante os 13 anos de Maduro no comando do país.
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