EUA acumulam 46 mil imigrantes ilegais presos em março
O Departamento de Segurança Interna (DHS) registrou, apenas em janeiro, 37.660 deportações
Os Estados Unidos implementaram, em 2025, um novo conjunto de políticas de imigração com foco na contenção da entrada irregular no país e na remoção de estrangeiros sem documentação válida.
A estratégia foi executada por meio de ordens executivas, proclamações presidenciais e regulamentações administrativas, com impacto direto sobre milhares de imigrantes.
Em 20 de janeiro, data da posse presidencial, foram assinadas oito ordens executivas que determinaram, entre outras medidas, a suspensão da cidadania automática para filhos de imigrantes ilegais, a revogação de programas de proteção humanitária e a ampliação da deportação sumária.
A Proclamação “Garantindo aos Estados Proteção Contra Invasão” declarou emergência na fronteira sul, autorizando o envio de tropas federais para reforço territorial.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) registrou, apenas em janeiro, 37.660 deportações. Em fevereiro, foram emitidos 6.577 mandados de detenção e 8.276 prisões por infrações migratórias. Em março, o número de pessoas sob custódia do ICE ultrapassou 46 mil. A média diária de deportações foi de aproximadamente 600, número inferior à média de 750 registrada em 2024.
Com a expansão da chamada remoção expedida, estrangeiros que não comprovarem dois anos de presença contínua no país podem ser deportados sem processo judicial. A medida eliminou a limitação anterior, que exigia que a detenção ocorresse em áreas próximas à fronteira.
Outra frente de ação foi a revogação de permissões provisórias e do Status de Proteção Temporária (TPS) para cidadãos de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela. Estima-se que 530 mil pessoas sejam afetadas por essas mudanças. O aplicativo CBP One, usado para solicitação de asilo, foi desativado.
O governo também lançou o aplicativo CBP Home, permitindo que imigrantes irregulares iniciem processos de autodeportação com promessa de elegibilidade futura para retorno legal.
Além disso, foi instituído o registro obrigatório de estrangeiros sem status legal, incluindo coleta de impressões digitais, sob risco de sanção criminal.
As autoridades identificaram três alvos prioritários: imigrantes com antecedentes criminais (cerca de 662 mil), os que cruzaram a fronteira desde 2021 (aproximadamente 5,8 milhões) e beneficiários de programas revogados.
Tribunais federais bloquearam temporariamente partes das medidas, como a deportação de estrangeiros para países terceiros sem possibilidade de contestação. O uso do Alien Enemies Act — legislação de 1798 — para justificar remoções sumárias também é objeto de disputas judiciais.
No plano operacional, o ICE enfrenta limitações estruturais. Com 41.500 vagas disponíveis, a capacidade dos centros de detenção é insuficiente para o volume previsto de detenções. O custo das operações em larga escala é estimado em dezenas de bilhões de dólares.
O impacto sobre comunidades imigrantes tem sido significativo, com relatos de separações familiares, hesitação em acessar serviços básicos e clima de incerteza. Ao mesmo tempo, representantes do governo sustentam que as ações visam restabelecer o cumprimento da lei, reforçar a segurança nacional e proteger a integridade da fronteira.
No campo econômico, analistas projetam riscos de escassez de mão de obra em setores como agricultura e construção, além de potencial redução do crescimento do PIB e queda nas remessas enviadas a países da América Latina. As novas diretrizes também repercutiram nas relações diplomáticas, especialmente com países como Brasil e Colômbia.
A estratégia segue em execução, com novas fases previstas ao longo do ano. O governo anunciou a continuidade das remoções, a reavaliação de benefícios públicos a estrangeiros e a intensificação da vigilância nas fronteiras.
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