Estudo revela que até 4 xícaras por dia podem rejuvenescer em 5 anos o relógio biológico
O consumo de café faz parte da rotina de grande parte da população adulta e, nos últimos anos, tem sido alvo de diversos estudos científicos
O consumo de café faz parte da rotina de grande parte da população adulta e, nos últimos anos, tem sido alvo de diversos estudos científicos.
Além de estimular a concentração e o estado de alerta, a bebida passou a ser investigada por possíveis efeitos sobre o envelhecimento celular, especialmente em grupos mais vulneráveis, como pessoas com transtornos mentais graves.
Um estudo trouxe novas informações sobre essa relação e reacendeu o debate sobre quanto café pode ser considerado um aliado da saúde.
O café pode influenciar o envelhecimento biológico em transtornos mentais graves
A pesquisa, divulgada na revista BMJ Mental Health, analisou o impacto do café no envelhecimento biológico de indivíduos com doenças psiquiátricas severas. Os resultados sugerem que o consumo moderado, em torno de três a quatro xícaras por dia, pode estar associado a telômeros mais longos, estrutura ligada à idade biológica das células.
A partir desses dados, os cientistas estimaram que esse grupo apresentaria, em média, cerca de cinco anos biológicos a menos do que pessoas que não ingerem a bebida. Embora promissores, os achados ainda precisam ser confirmados por estudos maiores e com diferentes perfis de população.

O que são telômeros e qual é a relação com o envelhecimento celular
Os telômeros são pequenas sequências de DNA localizadas nas extremidades dos cromossomos, muitas vezes comparadas às pontas de plástico que protegem cadarços. A cada divisão celular, essas estruturas tendem a se encurtar, processo considerado um importante marcador de envelhecimento biológico.
Quando os telômeros ficam muito curtos, aumentam as chances de falhas celulares e surgimento de doenças relacionadas à idade. Em algumas condições, como esquizofrenia, transtorno bipolar e quadros psicóticos, esse encurtamento pode ocorrer de forma mais acelerada.
Como foi avaliada a associação entre café, telômeros e idade biológica
Amostras de sangue foram coletadas para medir o comprimento dos telômeros em glóbulos brancos, células do sistema imunológico frequentemente usadas como referência de envelhecimento biológico.
Ao comparar os grupos, os cientistas observaram que quem consumia até 3 a 4 xícaras diárias apresentava telômeros mais longos do que quem não tomava café.
Já o grupo que ingeriu 5 ou mais xícaras não mostrou a mesma associação positiva. Outro dado relevante foi que pessoas com esquizofrenia relataram ingestão maior de café e os participantes que tomavam 5 ou mais xícaras por dia tendiam a ser mais velhos, o que pode influenciar os resultados.

Quais mecanismos podem explicar o papel do café na saúde celular
Os autores do estudo ressaltam que, por se tratar de uma pesquisa observacional, não é possível afirmar que o café seja a causa direta de telômeros mais longos. Mesmo assim, existem mecanismos biológicos plausíveis que ajudam a entender por que a bebida aparece com frequência em pesquisas sobre envelhecimento e saúde celular.
Entre os principais elementos apontados pela literatura científica sobre café e envelhecimento estão:
- Compostos antioxidantes: substâncias presentes no café podem neutralizar radicais livres, moléculas que danificam estruturas celulares e aceleram o desgaste dos telômeros.
- Ação anti-inflamatória: processos inflamatórios crônicos estão ligados ao encurtamento acelerado dos telômeros, e componentes do café parecem modular algumas dessas vias.
- Estímulo ao sistema nervoso central: além da sensação de alerta, há interesse em entender como a cafeína se relaciona com funções cerebrais em pessoas com transtornos mentais graves.
Qual é a quantidade de café considerada segura para adultos saudáveis
De acordo com orientações atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária de cafeína recomendada para adultos saudáveis é de até 400 mg. Esse valor corresponde, em média, a cerca de quatro xícaras de café filtrado, embora possa variar conforme o tipo de preparo e a concentração da bebida.
Em pessoas com transtornos psiquiátricos, o monitoramento costuma ser ainda mais cuidadoso, pois medicamentos, padrões de sono e outros hábitos influenciam o equilíbrio do organismo.
De modo geral, o uso moderado dentro do limite de 400 mg por dia permanece como a faixa mais estudada e considerada adequada até o momento.
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