Estuda indica os melhores métodos para adaptação climática
Ventiladores não bastam em regiões mais quentes, mas reduzem risco de calor a preço baixo. Algumas outras soluções são apontadas
A transição das discussões sobre contenção do aquecimento global para estratégias de adaptação a ele tem ganhado espaço. Pesquisa do McKinsey Global Institute revela que soluções tradicionais oferecem razoável proteção contra calor, inundações e secas. O levantamento mapeou 20 ferramentas para ampliar a resistência de comunidades aos efeitos climáticos.
Diques marítimos e barragens reduzem prejuízos por cheias em até 100%. O retorno financeiro dessas estruturas supera o custo de construção em até dez vezes. Os diques, especificamente, exigem menos recursos para manutenção do que as barragens ou os reservatórios de detenção, conhecidos como piscinões.
Ventiladores surgem como opção econômica para mitigar o estresse térmico; embora insuficientes em temperaturas extremas, operam com gastos inferiores ao ar-condicionado. Já a arborização urbana apresenta menor capacidade protetiva e custo-benefício inferior aos aparelhos mecânicos, conforme os dados analisados pelos pesquisadores.
Mekala Krishnan, coautora do levantamento, disse que “estas são tecnologias que o mundo tem implantado por séculos ou milênios”.
Quanto menos recursos, mais exposição ao calor
O mapeamento indica que a adaptação gera retorno para territórios expostos, especialmente em regiões com menos recursos. Atualmente, o mundo destina US$ 190 bilhões anuais para proteger 1,2 bilhão de habitantes. No entanto, o montante exigido para cobrir 4,1 bilhões de pessoas alcança US$ 540 bilhões.
Conforme Krishnan, “cerca de 4 bilhões de pessoas vivem em lugares hoje que experimentam calor, incêndios florestais, seca e inundações”, mas “apenas cerca de 1 bilhão está protegido com uma dessas 20 medidas que examinamos nesta pesquisa”. Mesmo opções de baixo custo permanecem inacessíveis para diversas populações.
A disparidade no acesso à refrigeração evidencia a desigualdade entre nações. Enquanto mais de 90% da população em áreas de calor nos EUA conta com ar-condicionado, os índices caem para 3% na África Subsaariana. Em partes da Ásia em desenvolvimento, o acesso atinge 11% dos habitantes locais.
A cúpula climática COP30 estabeleceu a meta de triplicar o financiamento para adaptação até 2035. O acordo prevê o aporte de US$ 120 bilhões anuais. A fundação de Bill Gates direcionará US$ 1,4 bilhão para fomentar a resiliência de agricultores em território africano e asiático.
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