Estônia e Lituânia dizem que ONU é impotente após invasões aéreas russas
Após caças russos entrarem na Estônia e drones cruzarem a Polônia, chanceleres pedem reação prática e defesa aérea reforçada na região
Os ministros das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, e da Lituânia, Kęstutis Budrys, afirmaram na ONU que o Conselho de Segurança está “sem capacidade de reagir” enquanto a Rússia mantém assento permanente e poder de veto.
As declarações foram dadas após reuniões de emergência convocadas para discutir as incursões russas em território da Otan.
Segundo o governo estoniano, três caças MiG-31 violaram o espaço aéreo do país por 12 minutos e chegaram a cerca de 24 km do Parlamento, em Tallinn.
Na semana anterior, de acordo com o governo polonês e com o Secretariado da ONU, pelo menos 19 drones russos cruzaram o espaço aéreo da Polônia durante a noite.
A missão russa na ONU negou as violações e disse que se tratam de “acusações infundadas”.
Em sessão do Conselho, o representante adjunto Dmitry Polyansky acusou Tallinn de histeria russófoba e afirmou que não há provas que sustentem os relatos feitos por estonianos e aliados.
No Conselho de Segurança, não houve votação para condenar os episódios.
Integrantes relataram que qualquer resolução seria automaticamente vetada por Moscou, um dos cinco membros permanentes. Desde 2022, diante da invasão da Ucrânia, o colegiado tem sido incapaz de aprovar medidas vinculantes sobre o dossiê.
Com a paralisia do Conselho, países afetados passaram a levar o tema à Assembleia Geral, onde resoluções têm peso político, mas não são obrigatórias.
Em 12 de setembro, a ONU realizou uma sessão de emergência com briefing da subsecretária-geral Rosemary DiCarlo, que registrou o risco de escalada regional a partir dos voos de drones na Polônia.
Os governos da Estônia e da Lituânia defendem endurecimento da resposta.
O Ministério das Relações Exteriores da Lituânia informou que Budrys propôs transformar o policiamento aéreo do Báltico em defesa aérea efetiva, com regras de engajamento mais robustas.
A chancelaria estoniana disse que Tsahkna pediu mais tropas e capacidades da Otan estacionadas na região.
A Otan realizou consultas sob o Artigo 4º do tratado, mecanismo acionado quando um aliado considera sua segurança ameaçada.
Em nota, a aliança afirmou que utilizará todos os meios necessários — militares e não militares — para defender seu território e qualificou as violações aéreas como parte de um padrão crescente de comportamento irresponsável.
O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.
Ele pode investigar disputas, impor sanções e autorizar o uso da força, mas essas ferramentas dependem de consenso entre os permanentes ou, ao menos, da ausência de veto.
Para os ministros da Estônia e da Lituânia, enquanto a Rússia conservar o veto e for acusada de agressão na própria Europa, o Conselho seguirá limitado a declarações e briefings.
“Moscou só leva a sério ações, não planos”, resumiu um dos ministros, ao defender que aliados demonstrem capacidade de resposta imediata.
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