“Este governo tem que sair”, dizem líderes camponeses bolivianos
Rejeitando negociação, movimentos sociais ampliam interdições e aprofundam o isolamento do presidente Rodrigo Paz
Após um mês de protestos contínuos, organizações camponesas, sindicais e de trabalhadores da Bolívia descartaram a proposta de negociação do governo e ampliaram os bloqueios de rodovias que paralisam La Paz.
Nesta sexta-feira, 29, mais de 70 interdições foram registradas em todo o país — cerca de 20 a mais do que no início da semana —, segundo a Administração Rodoviária Boliviana. A principal reivindicação, que partiu de demandas econômicas, chegou a um ponto radical: a saída do presidente Rodrigo Paz, no cargo há apenas seis meses.
Diálogo recusado nas estradas
Centenas de agricultores aimarás tomaram nesta sexta a rodovia que conecta El Alto — cidade a 4.100 metros de altitude — a La Paz, sede do Executivo. Com ponchos e folhas de coca, integrantes dos Ponchos Vermelhos, um dos sindicatos camponeses mais influentes do país, deixaram claro que não há espaço para negociação.
“Eles nos convidaram [para conversar], mas nós mesmos dissemos: não podemos dialogar, este governo tem que sair”, afirmou Juan Hidalgo, líder do grupo. Cercado por agricultores com chicotes nos ombros, ele foi direto: “Renunciem hoje ou convoquem eleições”.
Enquanto blocos de concreto impediam a circulação de veículos, mulheres com saias tradicionais distribuíam refeições aos manifestantes, em cenas que ilustram a organização e a disposição para permanecer nas ruas.
Governo ameaça, crise persiste
Na quarta-feira, Paz havia convocado os principais sindicatos para o que chamou de última tentativa de diálogo. A resposta veio nas estradas. “Se eles não quiserem dialogar, a lei entrará em ação”, declarou o presidente durante evento público.
Segundo a AFP, as reivindicações, que começaram com pautas específicas, se radicalizaram à medida que os manifestantes sentiram que suas demandas não receberam resposta.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)