Estado Islâmico mata 64 em paróquia católica no Congo
Invasores atacaram fiéis durante cerimônia de luto em Ntoyo, North Kivu; há crianças entre as vítimas e casas foram incendiadas
Ao menos 64 pessoas foram mortas na madrugada de quarta, 24, quando homens armados invadiram a paróquia de São José de Manguredjipa, no vilarejo de Ntoyo, em North Kivu, leste da República Democrática do Congo.
Segundo autoridades locais, os executores pertencem às Allied Democratic Forces (ADF), grupo jihadista de origem ugandesa que jurou fidelidade ao Estado Islâmico na África Central (IS-CAP) em 2019.
Relatos colhidos por agentes civis e religiosos apontam que os insurgentes usaram facões, armas de fogo e martelos para matar fiéis que participavam de uma cerimônia de luto.
Depois das execuções, os criminosos incendiaram residências próximas ao templo, numa ação descrita por autoridades locais como planejada e de alta letalidade.
Entre as vítimas há homens, mulheres e crianças, surpreendidos durante o ritual. Equipes comunitárias iniciaram enterros emergenciais em Ntoyo e nos arredores, enquanto a polícia congolesa e a administração local ampliaram rondas e barreiras em pontos considerados vulneráveis.
A diocese de Butembo-Beni informou que o bispo Melchisédech Sikuli Paluku ofereceu assistência espiritual às famílias e articulou apoio pastoral a sobreviventes e deslocados.
Em nota, a Conferência Episcopal do Congo classificou os assassinatos como “odiosos massacres” contra fiéis cristãos e pediu que as autoridades restabeleçam a segurança nas áreas rurais.
A ONG Aid to the Church in Need (ACN) cobrou mobilização de organismos multilaterais para conter a escalada de ataques a comunidades religiosas no leste do país.
A entidade afirmou que a proteção à liberdade religiosa e aos civis precisa ser tratada como prioridade imediata pelas autoridades congolesas e parceiros regionais.
Os massacres se somam a uma sequência recente atribuída à ADF na região oriental. Em Ituri, meses atrás, 34 fiéis foram assassinados durante culto em outra igreja.
Em julho, um ataque a uma vigília noturna na paróquia de Komanda deixou dezenas de mortos.
Em fevereiro, mais de 70 cadáveres, muitos com mãos amarradas e cabeças decapitadas, foram encontrados em uma igreja protestante em Lubero.
Apesar da presença de forças congolesas, do Exército de Uganda e da Missão de Estabilização da ONU (Monusco), a capacidade de controle territorial permanece limitada.
Autoridades locais admitem que milícias circulam por rotas florestais e atacam pontos desguarnecidos, explorando a falta de efetivo e a distância entre destacamentos.
Líderes eclesiásticos pediram que a segurança de templos e eventos religiosos seja reforçada com patrulhas, iluminação e protocolos de alerta nas comunidades.
A administração provincial iniciou levantamentos de danos e mapeamento de áreas críticas para direcionar recursos de proteção e assistência humanitária.
Segundo autoridades locais, investigações buscam identificar os responsáveis diretos pelo ataque em Ntoyo e eventuais colaboradores.
O governo provincial avalia medidas adicionais de vigilância, inclusive operações pontuais com apoio de tropas ugandesas, para desarticular células ativas da ADF na fronteira entre North Kivu e Ituri.
Organizações humanitárias locais já mobilizam abrigo, alimentação e apoio psicossocial para sobreviventes e parentes das vítimas.
Paróquias da região organizam coletas e equipes voluntárias para acompanhar famílias atingidas e recuperar espaços comunitários danificados pelo incêndio.
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