Espécie reduzida a 25 mil animais se multiplica até ultrapassar 4 milhões e agora 500 mil indivíduos invadem plantações de uma única região
A recuperação histórica do animal criou um novo desafio após enormes manadas atravessarem lavouras e pastagens na fronteira russa.
O antílope-saiga passou de cerca de 25 mil animais para mais de 4 milhões no Cazaquistão após décadas de proteção. A rápida recuperação ganhou um efeito inesperado quando aproximadamente 500 mil indivíduos migraram para uma região agrícola da Rússia.
O que aconteceu com a população do antílope-saiga?
A população cazaque superou 4,6 milhões de animais em 2026, após ter despencado para cerca de 25 mil nos anos 1990. O crescimento mudou a situação da espécie nas estepes da Ásia Central.
O antílope-saiga ocupa populações distintas no Cazaquistão, na Rússia e na Mongólia. Seu nariz dilatado filtra poeira no verão e ajuda a aquecer o ar gelado respirado durante o inverno.
Como uma espécie quase desaparecida conseguiu se recuperar?
A recuperação veio de proibições de caça, combate à captura ilegal, proteção de áreas e monitoramento. As ações reduziram a pressão do comércio de chifres e permitiram que grandes manadas voltassem às estepes.
A reprodução precoce e os partos duplos também favoreceram a expansão. Mesmo uma mortalidade em massa que matou cerca de 200 mil saigas em 2015 não interrompeu a tendência de crescimento.

Por que cerca de 500 mil animais chegaram às plantações russas?
As saigas migraram do Cazaquistão para Saratov, na Rússia, durante seus deslocamentos sazonais. No fim de maio de 2025, agricultores estimaram que aproximadamente 500 mil animais atravessaram a fronteira e entraram na região.
Saratov é uma produtora russa de grãos, e as manadas passaram por lavouras e cursos d’água. O Ministério da Agricultura da região de Saratov anunciou comissões para calcular os prejuízos.
Quais números mostram a dimensão dessa recuperação?
A expansão acelerou depois dos anos 2000. Em 2023, a mudança do status internacional de criticamente ameaçada para quase ameaçada reconheceu o avanço obtido principalmente no Cazaquistão.
O censo de 2026 elevou o recorde nacional, enquanto a presença russa também cresceu. As estimativas pertencem a anos diferentes e não representam uma única contagem simultânea.
Os principais marcos ajudam a comparar a escala da mudança:
Quais problemas as grandes manadas causam aos agricultores?
Os animais consomem cultivos, pisoteiam áreas semeadas e competem com rebanhos por pastagem e água. Uma concentração repentina pode afetar municípios despreparados para receber centenas de milhares de saigas.
Agricultores afirmaram ainda que animais morreram em rios durante a travessia. Como a espécie é protegida e não era classificada como praga agrícola, determinados prejuízos não estavam cobertos pelos seguros.
O conflito reúne quatro desafios imediatos:
- Perdas em lavouras atravessadas pelas manadas.
- Disputa por água e pastagens usadas pelo gado.
- Dificuldade para assegurar danos causados por espécie protegida.
- Necessidade de preservar corredores naturais de migração.
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Por que a recuperação ainda exige cautela?
O aumento populacional não elimina ameaças como caça ilegal, doenças, secas e fragmentação do habitat. Autorizar reduções sem fiscalização também poderia reabrir o mercado clandestino de chifres que ajudou a levar a espécie ao colapso.
O desafio agora é conciliar conservação e produção rural por meio de censos, corredores migratórios, prevenção de danos e apoio aos agricultores. O conflito mostra que recuperar uma espécie é diferente de administrar milhões de animais em uma paisagem compartilhada.
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