Espécie que tinha menos de 100 sobreviventes volta à natureza com 148 animais e comove pesquisadores
Um resgate iniciado diante do avanço do mar terminou com uma soltura histórica e uma descoberta que mudou o cenário conhecido.
O retorno do cobble skink à costa da Nova Zelândia encerrou uma etapa iniciada quando a erosão ameaçou seu único habitat conhecido. Após anos de reprodução sob cuidados humanos, 148 lagartos foram soltos em uma praia mais estável, mas a história ganhou uma reviravolta inesperada.
Qual espécie voltou à natureza com 148 animais?
O animal é o cobble skink, um pequeno lagarto endêmico da costa oeste da Ilha Sul da Nova Zelândia. Ele vive entre pedras arredondadas acima da linha da maré, ambiente estreito que oferece abrigo e permite que desapareça rapidamente pelas frestas.
Em 2016, pesquisadores acreditavam que restavam menos de 100 indivíduos na natureza e que todos estavam concentrados em menos de um hectare. Tempestades e erosão costeira poderiam destruir o local, levando o Departamento de Conservação a organizar uma retirada de emergência.

Como um pequeno grupo originou os 148 animais?
A operação de 2016 levou 35 lagartos ao Auckland Zoo, onde foi criada uma população de segurança. Outros seis chegaram em 2022. Especialistas desenvolveram recintos que reproduziam o ambiente pedregoso, acompanharam o parentesco dos animais e controlaram os cruzamentos.
Com reprodução bem-sucedida, o grupo cresceu até alcançar 148 indivíduos, a maioria nascida sob cuidados humanos. Em 15 de janeiro de 2025, eles viajaram de avião até Nelson e seguiram por terra para uma área costeira ao norte de Westport.
Por que os pesquisadores decidiram devolver o grupo?
A soltura tornou-se possível depois que levantamentos encontraram outras populações perto da área original. Um dos locais foi estimado em mais de 22 mil animais, revelando que a situação era menos extrema do que se acreditava quando o resgate começou.
Mesmo assim, os 148 lagartos continuavam importantes. O grupo preservava genes dos animais retirados do primeiro habitat e poderia reforçar a diversidade da espécie em uma área escolhida por apresentar pedras profundas, vegetação adequada e maior estabilidade contra a erosão.
Quais ameaças ainda cercam o cobble skink?
O crescimento conhecido não elimina a vulnerabilidade. A espécie ocupa somente cerca de dez quilômetros de litoral e depende de um tipo muito específico de praia. Elevação do nível do mar, tempestades mais intensas e obras costeiras podem reduzir esse ambiente.
Plantas invasoras também alteram o movimento das pedras, enquanto ratos, camundongos, gatos e mustelídeos podem atacar os pequenos lagartos. Por isso, a proteção precisa combinar monitoramento, controle de predadores e preservação das áreas localizadas acima da maré alta.
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A espécie deixou de correr risco de extinção?
A descoberta de milhares de indivíduos mudou a avaliação inicial, mas não encerrou o trabalho. O cobble skink ainda possui distribuição limitada, permanece exposto à transformação do litoral e continuava classificado como nacionalmente crítico, embora esse enquadramento estivesse em revisão.
O Departamento de Conservação da Nova Zelândia descreveu a soltura como o retorno de uma população de segurança. Informações sobre os escíncidos ajudam a situar o grupo de lagartos ao qual o animal pertence.
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