Espécie que desapareceu das estepes há cerca de 200 anos volta a ocupar campos e emociona conservacionistas
Após adaptação monitorada, um pequeno grupo ganhou liberdade em campos nativos, etapa de um projeto que ainda depende de reprodução e acompanhamento.
Seis cavalos deixaram um recinto de adaptação e voltaram a percorrer campos onde seus ancestrais haviam desaparecido havia gerações. Em 4 de junho de 2025, o cavalo-de-Przewalski voltou a circular livremente em uma área das estepes do Cazaquistão, após um ano de preparação e monitoramento.
Por que esse cavalo precisou ser reintroduzido?
O cavalo-de-Przewalski, também chamado de takhi, ocupava regiões de estepe da Ásia Central. Pressões como caça, perda de habitat e competição com animais domésticos reduziram sua distribuição e levaram ao desaparecimento de populações selvagens.
A última observação conhecida de um exemplar originalmente selvagem ocorreu em 1969, na Mongólia. Portanto, a ausência de aproximadamente 200 anos corresponde à região do Cazaquistão, e não ao período em que a espécie inteira ficou desaparecida da natureza.

Como seis animais conseguiram voltar aos campos?
Os seis animais, um macho e cinco fêmeas, haviam sido transportados da Europa em junho de 2024 por aviões militares tchecos. Eles permaneceram no centro de reintrodução Alibi, na região de Altyn Dala, antes da soltura definitiva.
Durante aproximadamente um ano, a equipe acompanhou a adaptação ao clima, à alimentação e à convivência em grupo. A soltura realizada pelo Zoológico de Praga e seus parceiros marcou a passagem do recinto protegido para a vida livre.
Quais cuidados são necessários antes da soltura?
Os cavalos precisam conhecer fontes naturais de água, buscar alimento no campo e enfrentar invernos rigorosos. Os preparativos também incluem acompanhamento veterinário e observação de como o grupo reage ao território que passará a ocupar.
Duas fêmeas receberam coleiras com GPS para auxiliar no rastreamento da manada após a liberação. O monitoramento permite avaliar deslocamentos, condições dos animais e eventuais dificuldades sem presumir que a adaptação terminou no dia da soltura.
As principais etapas do programa mostram a diferença entre transporte e liberdade:
Por que a sobrevivência da espécie dependeu dos zoológicos?
Quando as populações selvagens desapareceram, exemplares mantidos sob cuidados humanos preservaram a continuidade da espécie. Programas internacionais de reprodução passaram a organizar linhagens e transferências para reduzir problemas genéticos e preparar futuras reintroduções.
O Zoológico de Praga mantém o registro genealógico internacional desde 1959. A experiência de solturas anteriores na Mongólia ajudou a desenvolver procedimentos, mas cada novo território exige planejamento próprio para evitar perdas e formar grupos estáveis.
Como o retorno pode beneficiar a paisagem das estepes?
A alimentação por pastagem ajuda a controlar o crescimento de certas plantas, enquanto o deslocamento dos animais participa da dinâmica do solo e do transporte de nutrientes. Esses processos são relevantes para a recuperação ecológica de campos degradados.
O benefício não é automático nem depende de poucos indivíduos. A longo prazo, será necessário verificar sobrevivência, reprodução e diversidade genética, além da convivência com outras espécies e das condições de uso das áreas ao redor.
A recuperação depende de condições verificadas ao longo dos anos:
Quando será possível considerar a população recuperada?
Uma soltura bem-sucedida é apenas a primeira etapa. Para formar uma população viável, os animais precisam sobreviver por vários anos, gerar filhotes e manter diversidade genética suficiente para reduzir a dependência de novas transferências.
O retorno ao Cazaquistão recupera uma parte histórica da distribuição do cavalo-de-Przewalski. Seu resultado duradouro dependerá da continuidade da conservação das estepes, do acompanhamento dos grupos e de novas gerações nascidas e criadas naquele ambiente.
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