Espanha retoma controle fronteiriço com a Itália e amplia crise
Governo espanhol havia dado ultimato ao governo italiano pedindo o restabelecimento do Acordo de Schengen
O governo da Espanha decidiu nesta sexta-feira, 7, restabelecer o controle fronteiriço temporário em portos e aeroportos para viajantes provenientes da Itália.
A medida foi tomada após o governo italiano se recusar a suspender as restrições à entrada de viajantes do território espanhol.
Na última semana, a primeira-ministra Giorgia Meloni determinou a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha, que prevê o livre fluxo de pessoas entre os dois países, devido ao fluxo de migrantes vindos de Marrocos para o enclave de Ceuta.
Nesta sexta, 7, Meloni decidiu manter as restrições, apesar dos sucessivos pedidos feitos pela Espanha.
Como resposta, os espanhóis iniciarão a verificação de passaportes para todos os viajantes e autorizações de residência para cidadãos de países terceiros. A medida terá validade até 7 de setembro, a menos que “uma mudança nas circunstâncias que levaram à sua adoção justifique a modificação deste prazo”.
Ultimato
A Espanha havia dado um ultimato à Itália até o próximo domingo, 9, exigindo a retomada do Acordo Schengen.
O governo Meloni, contudo, rejeitou as exigências e disse que “não aceita ultimatos nem imposições”.
O ministro de Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, defendeu a suspensão do acordo.
“A suspensão temporária de Schengen com a Espanha é uma escolha necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras europeias. Uma medida prevista pelos tratados e tornada hoje ineludível. A crise dos migrantes em Ceuta nos lembra que a gestão das fronteiras da União é uma responsabilidade comum dos nossos Países, uns em relação aos outros. É preciso trabalhar juntos para evitar que fluxos descontrolados de migrantes entrem no território da UE, com todos os riscos subsequentes e com a ameaça do terrorismo, que deve ser combatida sem hesitações”, escreveu no X.
Invasão de Ceuta
O Ministério do Interior da Espanha afirmou que cerca de 50 mil pessoas entraram ilegalmente no país desde o início da crise migratória em Ceuta, das quais metade retornou voluntariamente ao Marrocos.
O número é significativamente inferior ao divulgado pelo presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas.
Vivas estimou o total de marroquinos que entraram na cidade em 60 mil.
Pelo menos 34 pessoas morreram ao fazerem a travessia para Ceuta.
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