Espanha: Após acidente de trens que matou 69, ministro renuncia
Oscar Puente anunciou a saída três dias depois do desastre ferroviário perto de Urda; é a segunda tragédia na linha Madri-Sevilha em 2026
O ministro dos Transportes da Espanha, Oscar Puente, pediu demissão nesta terça-feira, 3, seis dias depois da colisão entre dois trens em Urda, no centro do país, que causou 69 mortes. O acidente de 28 de outubro foi o segundo com vítimas fatais na linha Madri-Sevilha em 2026. Em janeiro, 46 pessoas morreram em um episódio semelhante.
A saída ocorre a menos de quatro semanas das eleições gerais antecipadas, marcadas pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez para 29 de novembro. Puente comunicou a decisão a parlamentares da Deputação Permanente, comissão que funciona enquanto o Parlamento está dissolvido.
“Um ministro dos Transportes de um país como a Espanha não pode continuar no cargo após dois acidentes dessa gravidade em menos de um ano”, disse.
Horas antes, ele havia apresentado um pacote de socorro às vítimas e de reforço da segurança. Sánchez agradeceu ao ministro na rede social X e afirmou que ele deu prioridade às vítimas e assumiu responsabilidade política.
Falha de sinalização precedeu a colisão
Na quarta-feira, 28, uma pane no sistema de sinalização da linha interrompeu automaticamente vários trens. Controladores de tráfego em Madri passaram a conduzir a circulação manualmente.
Segundo Puente, eles autorizaram a partida de um trem da estatal Renfe, apesar de haver uma composição da empresa privada Iryo parada à frente, na mesma via. Investigadores estimam que o impacto ocorreu a velocidade de 160 km/h a 200 km/h.
As duas empresas também estiveram envolvidas no acidente de janeiro.
Puente havia descartado renunciar antes. Nesta terça, afirmou que tomou a decisão minutos depois de saber da colisão, mas permaneceu no posto até que fossem adotadas as primeiras medidas de emergência, iniciadas as apurações preliminares e definidas as compensações iniciais e o reforço da segurança.
Governo reduz circulação e amplia indenizações
Entre as medidas anunciadas está a diminuição do número de trens na linha Madri-Sevilha. A restrição vale até que a Agência de Segurança Ferroviária revise o sistema de proteção da via e o governo conclua a instalação, em atraso, do Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário (ERTMS).
Em caso de pane na sinalização, os maquinistas terão de reduzir a velocidade para 40 km/h, para verificar visualmente se há obstáculos nos trilhos. O governo também prevê contratar mais funcionários e melhorar as condições de trabalho nos centros de controle.
Para as vítimas, o plano dobra os valores obrigatórios do seguro de passageiros, acelera os pagamentos e amplia a cobertura por incapacidade temporária.
A rede ferroviária espanhola passará ainda a contar com um agente de inteligência artificial para “detectar anomalias e monitorar conversas” entre maquinistas e controladores, com o objetivo de reduzir falhas humanas.
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