Era uma das maiores do continente, mas segunda falência termina com cerca de 2.400 lojas fechadas e 19 mil trabalhadores afetados
A segunda recuperação judicial começou tentando preservar parte da operação, mas terminou meses depois com a liquidação de toda a rede.
Durante anos, milhares de lojas de aluguel de filmes levaram a mesma operação a cidades pequenas, subúrbios e grandes centros da América do Norte. Em fevereiro de 2010, a Movie Gallery voltou ao Chapter 11; meses depois, a tentativa de recuperação terminou em liquidação.
Por que a Movie Gallery entrou em falência pela segunda vez?
O novo pedido foi apresentado em 2 de fevereiro de 2010. No processo judicial da Movie Gallery, a empresa declarou ativos entre US$ 10 milhões e US$ 50 milhões e passivos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão.
A crise vinha de antes. A receita havia caído de cerca de US$ 2 bilhões em 2008 para US$ 1,4 bilhão em 2009, enquanto serviços online, vídeo sob demanda e quiosques baratos aumentavam a pressão sobre o aluguel tradicional de filmes.

Qual era o tamanho da rede quando o segundo Chapter 11 começou?
A operação americana tinha aproximadamente 2.415 lojas e cerca de 19.100 funcionários. A Movie Gallery era uma das maiores cadeias de locação de vídeos da América do Norte e havia se tornado a principal rival da Blockbuster em vários mercados.
No auge, o grupo chegou perto de 4.800 unidades. A expansão reuniu formatos diferentes, combinando as lojas Movie Gallery com a Hollywood Video e a GameCrazy, dedicada principalmente à venda e troca de videogames.
Três números mostram a dimensão que ainda restava em 2010:
Como Hollywood Video e GameCrazy entraram nessa história?
A Movie Gallery comprou a Hollywood Entertainment em 2005, incorporando a Hollywood Video e ampliando fortemente sua presença nos grandes centros. A aquisição também trouxe a GameCrazy, voltada ao mercado de videogames.
O negócio acelerou a expansão, mas aumentou a complexidade e o endividamento do grupo. Quando a primeira recuperação começou em 2007, a companhia já carregava custos elevados e uma rede extensa em um setor que mudava rapidamente.
Por que a recuperação acabou virando liquidação?
O plano inicial do segundo Chapter 11 previa fechar aproximadamente 805 lojas de baixo desempenho e continuar operando uma rede menor. A deterioração financeira, porém, avançou rápido demais para que essa estratégia preservasse o negócio.
No fim de abril de 2010, a direção decidiu liquidar a operação. As vendas de encerramento passaram a alcançar as lojas das marcas Movie Gallery, Hollywood Video e GameCrazy, encerrando a tentativa de uma nova reorganização.
Quatro etapas resumem a queda final:
O que aconteceu com os cerca de 19 mil trabalhadores?
A empresa tinha aproximadamente 19.100 empregados quando apresentou a segunda falência. O número ajuda a explicar o alcance social da liquidação, embora os desligamentos tenham ocorrido em etapas à medida que lojas e operações de apoio eram encerradas.
Reportagens publicadas quando a liquidação foi anunciada estimavam que mais de 15 mil postos ainda seriam eliminados. Assim, os cerca de 19 mil trabalhadores representam a força de trabalho atingida pelo colapso, não necessariamente demissões realizadas todas no mesmo dia.
Como uma rede tão grande desapareceu em poucos meses?
As últimas unidades americanas das marcas Movie Gallery e Hollywood Video encerraram as atividades em 31 de julho de 2010. As operações canadenses restantes fecharam pouco depois, durante a primeira metade de agosto.
A companhia fundada em 1985 terminou justamente quando o modelo de locadora de vídeo perdia espaço para novas formas de distribuição. Uma rede que chegou perto de 4.800 lojas deixou de existir fisicamente após duas passagens pela recuperação judicial.
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