Equipe de Trump vai à Arábia Saudita para negociar paz entre Rússia e Ucrânia
Delegação americana será liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e incluirá o conselheiro de Segurança Nacional
Autoridades dos Estados Unidos e da Rússia devem se reunir na Arábia Saudita nos próximos dias para discutir um possível acordo para encerrar a guerra na Ucrânia.
A iniciativa, confirmada neste sábado, 15, por um parlamentar americano e uma fonte próxima ao assunto, tem o objetivo de organizar um encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, o ditador russo, Vladimir Putin, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Zelensky, que se reuniu com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, na Alemanha na sexta-feira, 14, afirmou que a Ucrânia não foi convidada para as negociações no país árabe e que não negociaria com Moscou sem consultar aliados estratégicos.
A delegação americana será liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e incluirá o conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz, e o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
A equipe russa ainda não foi confirmada. Segundo a CNN, representantes diplomáticos de alto escalão devem participar das tratativas. O Departamento de Estado dos EUA não comentou sobre o plano.
Conversa com Putin
As negociações ocorrem poucos dias após Trump anunciar que conversou com Putin pela primeira vez desde que reassumiu a presidência, e que ambos concordaram em iniciar negociações sobre um cessar-fogo na Ucrânia.
A mudança de Trump gerou preocupação entre aliados europeus, que temem ficar de fora de qualquer acordo sobre o futuro do país invadido.
Ainda não há clareza sobre os termos considerados aceitáveis para EUA, Rússia e Ucrânia.
Moscou exige que Kiev ceda parte de seu território e adote uma posição neutra de forma permanente. Já a Ucrânia insiste na retirada das tropas russas de todas as áreas ocupadas desde o início da guerra e defende sua entrada na Otan para evitar futuros ataques.
Desde o início do conflito, EUA e Europa já destinaram dezenas de bilhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia. Trump afirmou apoiar o país, mas busca garantias sobre o financiamento americano.
Reservas naturais
Washington e Kiev negociam um acordo que abriria as reservas naturais da Ucrânia para investimentos dos EUA.
Segundo fontes da Reuters, a Ucrânia quer garantias de que os americanos dissuadiriam a Rússia de novas ofensivas enquanto o tratado é fechado.
Na quarta-feira, 12, Trump adotou um tom conciliador com a Rússia e demonstrou distanciamento da Ucrânia. Durante entrevista coletiva, afirmou que os ucranianos não deveriam ter lutado e descartou a adesão do país à Otan, além de rejeitar a ideia de recuperar territórios perdidos.
O presidente americano também sugeriu que os europeus deveriam arcar com as garantias de segurança, enquanto os EUA buscam compensações pelo apoio prestado.
Tropas ucranianas seguem com suas ofensivas na região russa de Kursk e no Donbass, onde recentemente retomaram partes de vilarejos estratégicos. A falta de apoio militar dos EUA preocupa Kiev, que tenta convencer Trump de que a assistência à Ucrânia também é benéfica para os interesses econômicos americanos.
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