Enviado de Trump sugere “modelo de Berlim” no pós-guerra para Ucrânia
Pela proposta, o rio Dnipro dividiria o país: a oeste, tropas ucranianas com apoio franco-britânico; a leste, áreas ocupadas sob controle russo
O enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, general Keith Kellogg, propôs dividir o país em zonas de influência após um eventual cessar-fogo com a Rússia, em um modelo semelhante ao que foi adotado em Berlim após a Segunda Guerra Mundial. A sugestão foi feita em entrevista publicada neste sábado, 12, pelo jornal britânico The Times.
Pela proposta, o rio Dnipro funcionaria como linha de separação. A oeste, tropas ucranianas seriam apoiadas por uma força de segurança liderada por Reino Unido e França. A leste, os territórios atualmente ocupados continuariam sob controle russo.
Kellogg também sugeriu a criação de uma zona desmilitarizada de 29 quilômetros ao longo da linha de frente, com 15 km de recuo para cada lado.
“Quase se poderia repetir o modelo de Berlim, com zonas de responsabilidade divididas entre aliados e russos”, disse o general. Segundo ele, a presença de tropas europeias no oeste da Ucrânia “não seria provocativa” para Moscou, por estarem do outro lado do Dnipro — um “grande obstáculo natural”, nas palavras dele.
Apesar do simbolismo da proposta, Kellogg admitiu que o Kremlin pode rejeitá-la e que violações ao cessar-fogo são prováveis.
“Sempre há violações. Mas a nossa capacidade de monitorar isso é alta”, afirmou.
Ele também afirmou que os Estados Unidos não enviarão tropas terrestres à Ucrânia e alertou europeus para não contarem com apoio militar americano.
Em publicação posterior no X, o general negou que estivesse sugerindo uma divisão formal da Ucrânia.
“Falei de zonas de responsabilidade em uma força aliada de segurança, não de divisão territorial”, escreveu.
A proposta de Kellogg contraria declarações do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que reafirmou que seu país não aceitará perder territórios para a Rússia. Para Kiev, qualquer plano que reconheça a ocupação russa violaria a soberania nacional e recompensaria a agressão russa, iniciada em fevereiro de 2022.
Negociador de Trump se reúne com Putin
A proposta de Kellogg foi divulgada um dia depois de o enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, ter se reunido por mais de quatro horas com o ditador russo Vladimir Putin em São Petersburgo.
Witkoff agradeceu com a mão no peito ao ser recebido por Putin. Segundo a agência Reuters, ele também se reuniu com Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano russo, com quem discutiu a possibilidade de Trump reconhecer as quatro províncias ucranianas ilegalmente anexadas pela Rússia em 2022 — embora Moscou não controle totalmente essas regiões.
O teor completo das conversas não foi divulgado. Dmitriev afirmou apenas que “as discussões foram produtivas”.
Após o encontro, Witkoff embarcou rumo a Omã, onde neste sábado deve liderar, pelo lado americano, as primeiras conversas com o Irã sobre seu programa nuclear.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (3)
LuÃs Silviano Marka
12.04.2025 13:33Por que não propor essa zona na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia conforme reconhecido internacionalmente, ou seja, como era em 1992?
Emerson H de Vasconcelos
12.04.2025 11:56Ué...não seria função do Rubio? Será que já dançou?
Denise Pereira da Silva
12.04.2025 10:53O governo Trump, em relação à Ucrânia, vem se revelando cada vez mais mercenário, hipócrita e desesperado por meter a mão nas terras raras da Ucrânia através de acordos com o governo russo de Putin. E assim os EUA vão perdendo credibilidade e confiabilidade perante o mundo.