Entrevista com Zelensky é interrompida por apagão: “É o nosso dia a dia”
Episódio ocorreu após nono ataque massivo da Rússia contra a rede elétrica da Ucrânia
Uma entrevista do jornalista britânico Luke Harding, do The Guardian, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi interrompida por um apagão no gabinete presidencial em Kiev.
“Queda de energia”, disse Zelensky no momento, enquanto uma voz ao fundo completava: “Estamos ligando o gerador.”
Sem se abalar, Zelensky continuou calmamente:
“Essas são as nossas condições diárias. Isto faz parte do nosso dia a dia”, disse.
A energia caiu duas vezes durante a conversa.
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Ataques russos
No sábado, 8, Moscou lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra usinas termelétricas subestações e instalações de aquecimento em toda a Ucrânia.
As explosões danificaram gravemente a rede elétrica, deixando milhões de pessoas sem energia, água ou aquecimento.
A operadora estatal Centerenergo informou que sua capacidade de geração caiu para “zero”, enquanto o Ministério da Energia descreveu o episódio como “uma das noites mais difíceis desde o início da invasão”, em fevereiro de 2022.
Em Kiev, Dnipropetrovsk, Donetsk, Kharkiv e outras regiões, os cortes de energia duram entre oito e dezesseis horas por dia.
O apagão de sábado foi o nono ataque massivo ao sistema elétrico ucraniano desde outubro.
Medo de Trump?
Na entrevista, Zelensky afirmou não ter “medo” de Donald Trump, ao contrário de outros líderes ocidentais, e negou que seu último encontro em Washington tenha sido conturbado.
O líder ucraniano disse que os países não são inimigos: “Inimigos devem ter medo. Nós não somos inimigos da América, nós somos amigos. Então por que eu deveria ter medo?”, questionou.
“Trump foi eleito pelo seu povo. Devemos respeitar a escolha feita pelo povo americano, assim como fui eleito pelo meu povo. Os EUA são nosso parceiro estratégico há muitos anos, talvez até décadas e séculos.”
Zelensky também elogiou o papel do rei Charles 3º do Reino Unido no apoio à Ucrânia. Segundo ele, o monarca atuou nos bastidores para aproximar os Estados Unidos do país.
“Não sei todos os detalhes, mas entendo que Sua Majestade enviou alguns sinais importantes ao presidente Trump”, disse. Ele afirmou ainda que Trump respeita o rei e o considera “muito importante”.
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