Empresa chinesa vende participação do Canal do Panamá a consórcio dos EUA
CEO de grupo chinês negou relação com declarações recentes de Trump
A empresa chinesa CK Hutchison Holdings, sediada em Hong Kong, vendeu 80% das suas ações para um consórcio americano formado pelos grupos BlackRock, Global Infrastructure Partners e Terminal Investiment Ltd, que comandará unidades operacionais em portos próximos ao Canal do Panamá nesta terça-feira, 4.
O negócio ocorre em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a intenção dos americanos de retomarem o controle da rota comercial estratégica, apesar do CEO da CK Hutchison negar que as negociações ocorreram em função de “notícias políticas”.
“A transação é de natureza puramente comercial e não tem relação com as recentes notícias políticas sobre os Portos do Panamá“, diz trecho de um comunicado.
Por mais de duas décadas, a empresa chinesa operou os portos nas entradas dos Oceanos Pacífico e Atlântico para o Canal. Na visão do secretário de Estado americano, Marco Rubio, a ditadura de Xi Jinping controla a empresa e poderia ordenar o fechamento da passagem, o que prejudicaria dezenas de países.
O novo consórcio comandará ainda 90% da Panama Ports, uma empresa que administra portos importantes da região.
A história do Canal
Por décadas, o Canal do Panamá e sua zona adjacente estiveram sob controle americano, resultado de um acordo que permitiu aos EUA apoiar a independência do Panamá em relação à Colômbia em troca da construção e administração do canal.
Em 3 de novembro de 1903, com a ajuda da marinha americana, o Panamá declarou sua independência, e logo depois os EUA iniciaram a construção do canal, que foi concluído em 1914. O pagamento inicial de 10 milhões de dólares foi feito à nação panamenha, além de um aluguel anual de 250 mil dólares.
Com isso, estabeleceu-se uma verdadeira enclave americana dentro do território panamenho, onde discriminação e ressentimento pela dominação estrangeira fomentaram protestos ao longo dos anos.
Em 1964, manifestações intensas ocorreram quando cidadãos panamenhos tentaram hastear sua bandeira na zona do canal, resultando em confrontos violentos.
As tensões levaram a novas negociações entre os países, culminando nos Acordos Torrijos-Carter em 1977, que garantiram a neutralidade do canal e estipularam sua devolução ao Panamá até 31 de dezembro de 1999.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
04.03.2025 15:25Mais um passo de uma provável “venda” de Taiwan pelos EUA/Trump aos chineses.